Lula disse ontem no Palácio do Planalto, numa reunião a portas fechadas, que o apoio de Elon Musk à campanha de Donald Trump à reeleição nos EUA não foi um “almoço de graça”. A fala foi direcionada a integrantes brasileiros do G20 Social, que no fim da semana vão se encontrar com representantes de outros 20 países do bloco no Rio de Janeiro. Eles estiveram reunidos com o presidente em Brasília.
A menção do petista a Musk, que já vem sendo publicamente criticado, aconteceu durante uma explanação sobre a taxação de super-ricos, discutida pelo G20. O Brasil está propondo aos outros países do grupo que se estabeleça um imposto anual de 2% sobre as fortunas de bilionários pelo mundo. A medida é a principal entre as encampadas por Lula e pode render até US$ 250 bilhões por ano, com cobranças a cerca de 3 mil pessoas. Seria um padrão de tributação internacional.
Dono de um império que inclui o X (antigo Twitter), a Tesla e a SpaceX, entre outras empresas, Musk tem uma fortuna superior a US$ 314 bilhões. Apoiador de Trump, o empresário viu as ações de seus negócios (da Tesla, sobretudo) se valorizarem desde a semana passada, com a perspectiva de que a volta do presidente à Casa Branca pode impactar positivamente a regulamentação de suas atividades.
Antes dessa valorização, Musk investiu mais de US$ 100 milhões (por volta de R$ 570 milhões) na campanha de Trump, participou de comícios e fez rifas de valores milionários para incentivar eleitores.
Foi sobre esse suporte a Trump (e, depois, os ganhos financeiros de Musk) a que Lula se referiu:
— Veja esse cara do Twitter, o Elon Musk. O que ele fez agora? Ele captou uma dinheirama na campanha do Trump. E não tinha almoço de graça.
Fonte: O Globo