Em uma missão subaquática na ilha de Sicília, na Itália, pesquisadores da Universidade de Udine, em colaboração com a Superintendência do Mar da Região da Sicília, descobriram um navio naufragado e seis âncoras. Elas estavam nas águas profundas da costa de Santa Maria del Focallo, no município de Ispica. O sítio está soterrado sob uma grossa camada de areia e pedras, formada ao longo dos séculos, e precisou ser escavado ao longo de três semanas.
Quando os arqueólogos desenterraram a embarcação, eles verificaram que seu casco foi construído usando uma técnica típica de populações ao redor do Mediterrâneo. Seu estilo ainda permitiu com que datassem a embarcação como fabricada entre os séculos 5 e 6 a.C.
Além desses destroços, a equipe ainda encontrou uma coleção de âncoras a vários metros do navio. Duas delas eram feitas de ferro, e provavelmente se originaram no século 7 d.C, enquanto as outras quatro tinham como matéria-prima pedras pesadas, e pareciam datar da pré-história.
Importância dos achados
O sítio arqueológico foi originalmente reportado à Superintendência do Mar em 2022 pela associação BCsicilia, que elaborou a documentação inicial da área. Seguiu-se uma inspeção subaquática em junho de 2023 por Fabrizio Sgroi, gestor de área da Superintendência do Mar, em conjunto com Massimo Capulli.
“Esta descoberta representa uma contribuição extraordinária para o conhecimento da história marítima da Sicília e do Mediterrâneo e destaca mais uma vez o papel central da Ilha no tráfego e nas trocas culturais da antiguidade”, explica Francesco Scarpinato, conselheiro de patrimônio cultural da Itália, em comunicado. “O naufrágio, que remonta a um período crucial para a transição entre a Grécia arcaica e a clássica, é uma peça muito preciosa”.
Como destaca a CBS News, os envolvidos no projeto acreditam que o achado pode potencialmente lançar luz sobre um capítulo importante da Grécia antiga, que ocupou a Sicília por centenas de anos até ser tomada por Roma por volta de 200 a.C. Estudar o naufrágio pode ajudar a esclarecer como o comércio acontecia entre os antigos gregos e cartagineses, dois grupos que há milhares de anos lutaram pelo controle dos mares.
Fonte: Revista Galileu