O procedimento foi feito por Grazielly Barbosa, que se dizia biomédica, mas a investigação policial constatou que ela não possuía formação na área. Ao todo, foram aplicados 30 ml de PMMA em cada glúteo da influenciadora. A investigada chegou a negar a aplicação do produto, alegando que, na verdade, era um bioestimulador. Ela acabou presa por exercício ilegal da medicina.
Exercício ilegal da medicina
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o médico Marcelo Sampaio, avalia que a demanda por cirurgias plásticas e procedimentos “ditos cosméticos” tem aumentado a cada ano no Brasil. Além de refletir uma questão comportamental, essa procura crescente, muitas vezes, ignora riscos e cuidados necessários que precisam ser tomados.
Um deles envolve a formação e o preparo adequado do médico ou profissional contratado. Em determinados casos que resultaram em morte e prisão no Brasil, como o da influenciadora Aline Maria Ferreira, foi constatado o exercício ilegal da medicina e até a situação irregular de clínicas ou o uso de substâncias não autorizadas pela Anvisa.
Levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e divulgado este ano revelou que, nos últimos 12 anos, houve uma média de pelo menos dois casos diários de exercício ilegal da medicina, no Brasil, registrados pela Justiça ou por inquéritos das polícias civis dos estados.
Formações distintas
Do ponto de vista da formação e do estudo, Marcelo Sampaio aponta que o quadro, na área da estética, é “muito díspar”. Ao mesmo tempo em que existem profissionais que estudaram até 12 anos para atuar na cirurgia plástica, sendo seis anos de faculdade, três de residência em cirurgia geral e três de residência em cirurgia plástica, existem aqueles que buscaram a qualificação por meio de “atalhos”.
“São cursos de finais de semana, cursos de pós-graduação… Isso faz com que as formações sejam muito distintas. Evidentemente, existem profissionais mal formados. Só que, quando cai no âmbito da cirurgia plástica e do procedimento cosmético, a população acha que todo mundo está no mesmo balaio, e as mídias sociais contribuem para essa confusão na hora de selecionar um determinado profissional. As pessoas, hoje, buscam no Instagram ou em sites na internet”, expõe o médico.
“Qualquer procedimento envolve riscos”
Um outro ponto que precisa ser levado em consideração, segundo Marcelo Sampaio, é o fato de que “qualquer procedimento médico e qualquer intervenção cirúrgica envolve riscos”. O aumento da procura e até certa banalização dos procedimentos, nos últimos anos, contribuíram para o fortalecimento da visão de que não há riscos associados. Na prática, é um pouco diferente.
Com informações metrópoles