— Quatro garotos surgiram do escuro, colocaram um facão na barriga de uma das garotas que estavam conosco e levaram todos os nossos celulares. Eles nos ameaçaram de morte. Foi aterrorizante — relata.
Esse caso, porém, não é isolado. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que a região da Grande Tijuca, que inclui os arredores da Uerj, registrou 1.456 roubos de celulares entre janeiro e novembro de 2024, um aumento de 53,7% em comparação ao mesmo período de 2023.
Diante do aumento nos assaltos, os estudantes da universidade lançaram um abaixo-assinado on-line que já acumula mais de 2.700 nomes, pedindo melhorias na segurança. Apesar da mobilização, eles afirmam que pouco mudou até agora.
A rampa da Radial Oeste, que liga a estação Maracanã da Supervia e do metrô ao portão principal da Uerj, é apontada pelos estudantes como um dos locais mais perigosos. A falta de iluminação e a ausência de policiamento, dizem, tornam a área vulnerável, especialmente no período noturno.
— Todos estamos assustados. Uma colega chegou a cogitar trancar o curso, mas desistiu porque o pai não permitiu. Estudar em um ambiente onde a segurança não é prioridade é desanimador — desabafa Marins. — Suplicamos por algo básico: iluminação e policiamento. Não é luxo, é necessidade. Em dias de jogo no Maracanã, vemos muitos policiais, mas no dia a dia, somos abandonados à própria sorte. Parece que estão esperando uma tragédia maior para agir.
Procurada, a Uerj informa que tem solicitado ao comando do 6º BPM reforço na segurança do entorno da universidade e diz que planeja realizar reuniões para discutir soluções. A Polícia Militar, por sua vez, afirma que o 6º BPM (Tijuca) adotou novas estratégias de policiamento na área, com a presença de viaturas, patrulhas de moto e policiais a pé.
Já a Polícia Civil afirma que, até o momento, não identificou aumento significativo no número de registros de assaltos na região. No entanto, a 18ª DP (Praça da Bandeira) investiga a ação de grupos criminosos que operam nessa modalidade de delito e colabora com a Polícia Militar para coibir esses crimes e responsabilizar os envolvidos.
A prefeitura o foi procurada para comentar a falta de iluminação na região, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
Fonte: O Globo