Lideranças do governo e do MST vão se encontrar nesta segunda-feira, 3, para alinhar os detalhes do evento, que contará com a oficialização da entrega de assentamentos, entre eles o próprio Quilombo Campo Grande, e também com o lançamento do Desenrola Rural, recém-lançado programa voltado à negociação de dívidas de produtores rurais.
Desde o início do ano, diante de sua queda de popularidade, Lula tem buscado uma reaproximação do MST.
Em 2025, o petista convidou o movimento para uma reunião em Brasília, prometeu visitar um acampamento ou assentamento e convidou João Paulo Rodrigues, um dos principais líderes do MST, para integrar a delegação brasileira na posse de Yamandú Orsi, novo presidente do Uruguai, neste sábado, 1º.
Líderes do movimento também receberam com entusiasmo a nomeação de Gleisi Hoffmann para o cargo de ministra da Secretaria de Relações Institucionais. Ela é uma das principais interlocutoras do MST entre os aliados do presidente.
O MST cobra uma visita de Lula desde o início de sua gestão, em 2023. Em janeiro, o presidente recebeu líderes do movimento no Palácio do Planalto para discutir os programas de reforma agrária do governo, os quais são amplamente criticados pelos sem-terra.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário informou que, em 2024, assentou 71,4 mil famílias, mas o MST contesta esses dados e pressiona o governo para assentar 100 mil famílias que, segundo eles, ainda estão acampadas pelo país.
Visita a acampamento do “indica uma posição política do presidente”, diz líder do MST
A visita de Lula ao acampamento acontece pouco antes de duas grandes mobilizações do MST: a Jornada de Lutas das Mulheres Sem-Terra, em 8 de março, e o Abril Vermelho, conhecido por suas marchas e invasões de terras.
Foi durante o Abril Vermelho de 2023 que a relação de Lula com o MST se deteriorou no atual mandato, depois das invasões de propriedades da empresa Suzano e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pelos sem-terra.
Em resposta, o presidente e seus ministros adotaram uma postura mais dura, enquanto o MST criticou a lentidão dos programas de reforma agrária e de incentivo à agricultura familiar.
Ceres Hadich, integrante da direção nacional do MST, afirma que as ações recentes do governo, embora limitadas e tardias, têm grande simbolismo, pois se referem a áreas de assentamentos que aguardam regularização fundiária há décadas. É o caso do Quilombo Campo Grande, que existe desde 1998.
“Não nos esqueçamos que estamos no terceiro ano do governo Lula e até agora pouquíssimo foi feito pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário em relação à reforma agrária”, diz Ceres. Ela ressalta, por outro lado, que “a retomada da criação de assentamentos por meio de decretos de desapropriação por interesse social é muito importante, e indica uma posição política do presidente”.
Ela também afirma haver expectativa no MST de que Lula faça anúncios robustos na sexta-feira, com foco no incentivo à produção de alimentos, à promoção da agroecologia e do cooperativismo.
Historicamente, a relação de Lula com o MST é marcada por aproximações e distanciamentos. Os momentos de maior afinidade geralmente acontecem quando o presidente se encontra em situações de fragilidade.
Isso aconteceu, por exemplo, em 2018, quando Lula foi preso e o movimento, junto com outros militantes, montou a Vigília Lula Livre em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba por 580 dias.
Em 2016, o MST também esteve envolvido em mobilizações contra o impeachment de Dilma Rousseff, que, durante seu governo, foi considerada pelos sem-terra como a pior presidente para a reforma agrária.
Com informações revista oeste