A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal dominou a cobertura da imprensa internacional sobre o Brasil e foi tratada como um episódio histórico na política brasileira.
O advogado-geral da União foi barrado ontem (29) no plenário da Casa Alta, após ter o nome aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O placar final foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, abaixo dos 41 necessários para confirmação.
O resultado interrompeu uma tradição de mais de um século. A última vez que o Senado havia rejeitado uma indicação ao Supremo foi em 1894, ainda no governo Floriano Peixoto. A decisão representou uma derrota histórica para Lula (PT).
Indicado há mais de 5 meses, Messias enfrentou resistência da oposição e de setores do Senado, especialmente do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que defendia Rodrigo Pacheco para a vaga.
O jornal espanhol El País apontou o episódio como uma “derrota histórica” para Lula e indicou que o voto dos senadores refletiu um movimento de desgaste político do governo petista. Já o The Washington Post classificou a decisão como um “golpe político” do Legislativo contra o presidente e ressaltou o caráter inédito da rejeição em mais de 130 anos.
A agência de notícias Reuters descreveu o resultado como uma “derrota pesada” e destacou que a indicação gerou reação negativa entre lideranças do Senado, com pressão por uma alternativa ao nome escolhido para a vaga aberta no Supremo.