Home Nóticias Governo Trump intensifica investigação contra JBS por “cartel da carne” nos EUA – Paulo Figueiredo

Governo Trump intensifica investigação contra JBS por “cartel da carne” nos EUA – Paulo Figueiredo

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O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (4) a intensificação da investigação por suspeita de cartel contra os quatro maiores frigoríficos que atuam nos Estados Unidos – entre eles a brasileira JBS e a também brasileira Marfrig, dona da National Beef.

A investigação antitruste, em curso desde novembro do ano passado, apura suposta formação de cartel, fixação de preços e práticas que comprometeriam a segurança alimentar do país. O anúncio sobre a ampliação da investigação foi feito em uma coletiva realizada nesta segunda no Departamento de Justiça dos EUA (DOJ, na sigla em inglês), em Washington, e mira diretamente as empresas que controlam parte expressiva do mercado americano de carne bovina.

O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou na coletiva que a investigação em curso já analisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pecuaristas, produtores e processadores desde que o presidente Trump determinou sua abertura por meio de uma ordem executiva no ano passado. Segundo Blanche, o atual cenário do setor sugere a existência de práticas ilegais.

“A estrutura atual do mercado e a alta concentração da indústria indicam atividade anticompetitiva”, disse o procurador-geral interino.

A Gazeta do Povo procurou a JBS e a Marfrig para comentar o tema, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O material será atualizado em caso de manifestação das empresas.

Quatro empresas controlam 85% do mercado de carne dos EUA

De acordo com o Departamento de Justiça e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), apenas quatro processadoras dominam mais de 85% do mercado americano de carne bovina: a JBS USA Holdings, subsidiária da multinacional brasileira JBS SA; a Cargill, conglomerado alimentício sediado em Minnesota; a National Beef Packing, controlada pela brasileira Marfrig Global Foods; e a Tyson Foods, com sede no Arkansas. Conforme detalhou a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, essas quatro empresas operam por meio de cerca de 70 subsidiárias, o que, segundo ela, deixa os pecuaristas americanos com poucas opções de venda.

De acordo com a Casa Branca, a fatia de mercado da chamada “Big Four” passou de 36%, em 1980, para os atuais 85%. “Quando apenas quatro empresas controlam um mercado, fornecedores e preços de alimentos sofrem fortes impactos quando ocorrem perturbações”, disse a secretária, citando como exemplos a pandemia de Covid-19, surtos de doenças animais, ataques cibernéticos e incêndios em fábricas.

Foco no controle estrangeiro

Tanto Rollins quanto o diretor de Comércio e Manufatura da Casa Branca, Peter Navarro, enfatizaram que parte da preocupação do governo Trump neste momento se deve ao fato de duas das quatro gigantes terem controle estrangeiro – ambas brasileiras. De acordo com Rollins, isso representa uma ameaça que vai além da pecuária.

“Metade desses gigantes da indústria de carne, incluindo o maior frigorífico do mundo, é estrangeira ou tem participação e controle estrangeiro significativos, tornando-os uma ameaça não apenas aos nossos produtores de gado, mas à própria América”, afirmou a secretária Rollins na coletiva. A referência ao “maior frigorífico do mundo” alude diretamente à JBS, líder global do setor.

Segundo Navarro, após o presidente Trump impor tarifas adicionais ao Brasil no ano passado, o chamado “lobby da carne”, representado pelas empresas brasileiras, teria, em suas palavras, “silenciosamente ameaçado a Casa Branca”. Segundo Navarro, na sequência da imposição das tarifas contra o Brasil, carregamentos de carne bovina que deveriam abastecer o mercado dos Estados Unidos passaram a ser redirecionados para a China. Conforme o conselheiro, a alta concentração das empresas combinada com o controle estrangeiro cria riscos que extrapolam a esfera comercial.

“Não é apenas com a manipulação e a fixação de preços que temos de nos preocupar. É também com a influência de estrangeiros em nossa cadeia de suprimentos e nas questões de segurança nacional associadas. Não podemos tolerar isso”, afirmou.

Navarro também acusou diretamente a JBS de financiar políticos americanos. Conforme o conselheiro, a empresa “distribui milhões de dólares ao sistema político americano como se fossem balas”.

Origem da investigação

A investigação em curso foi aberta após uma postagem do presidente Trump na rede Truth Social, em 7 de novembro de 2025, na qual ele determinou ao Departamento de Justiça apurar suspeitas de cartel, fixação e manipulação de preços pelas grandes processadoras de carne que atuam em solo americano. No texto, o presidente acusou os frigoríficos de capital estrangeiro de “inflar artificialmente os preços” e colocar em risco a segurança do abastecimento alimentar do país.

Os preços no atacado da carne bovina nos Estados Unidos subiram 2,8% em março na comparação com fevereiro e estavam 19,7% mais altos do que no mesmo mês do ano anterior, conforme dados do USDA.

EUA vão oferecer US$ 1 milhão a delatores

O procurador Blanche adiantou que o Departamento de Justiça vai oferecer incentivos financeiros a pessoas que colaborarem com informações na investigação sobre possíveis práticas anticompetitivas no setor de carnes. Segundo ele, delatores poderão receber entre 15% e 30% dos valores recuperados em casos que resultem em penalidades criminais superiores a US$ 1 milhão (R$ 4,9 milhões, na cotação mais recente).

Crédito Gazeta do Povo



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