O ICMBio, cujas ações truculentas contra colonos na Terra do Meio (PA) ganharam notoriedade em todo o país, se diz vítima de uma “cadeia criminosa” envolvendo políticos, advogados e influenciadores digitais, que atuariam em coordenação para “impedir a retirada do gado ilegalmente criado na estação ecológica”.
“Esta pressão tem levado a grandes dificuldades no sentido de aluguel de caminhões já que os motoristas são intimidados pelas redes sociais, na definição de frigoríficos para abate do gado, que também sofrem pressões políticas e econômicas. Não por outra razão as Guias de Trânsito de Animais estão sendo constantemente substituídas em função da mudança de destino do gado.”
A justificativa consta de manifestação da AGU no âmbito de processo movido pela defesa do produtor Pedro Ferreira Lima, o Pedro Coco, e obtido pela reportagem. No documento, o procurador federal Leonardo Lima Nazareth Andrade, que defende o órgão de fiscalização ambiental, afirma que essa espécie de ‘gabinete do ódio’ teria sido responsável por mobilizar a população local para queimar pontes, cercar os caminhões usados na apreensão e soltar o gado.
“Para exemplificar o nível de tensão gerado por essa pressão política, da cadeia de pecuária ilegal com apoio de influenciadores digitais, assinala-se o fato ocorrido em 09/06 onde, após embarque do rebanho apreendido e emissão das Guias de Trânsito de Animais, o comboio com escolta da Força Nacional, foi parado depois de percorrer 55 km em função de uma ponte derrubada, e a multidão de cerca de 50 pessoas atacou o comboio e as 90 cabeças foram soltas e roubadas.”
Na última semana, o ICMBio identificou várias dessas pessoas e passou a autuá-las também, com multas de até R$ 18 mil, por “obstar ação do poder público no exercício de atividade de fiscalização”.
Leia também: