Quatro dos cinco principais nomes na corrida presidencial de 2026 têm diploma de ensino superior. Só um deles, porém, foi além da graduação: Flávio Bolsonaro soma três especializações à formação em Direito, um currículo acadêmico que nenhum outro concorrente do pelotão de frente reúne.
O levantamento cruza biografias oficiais, currículos públicos e registros das próprias universidades.
Flávio Bolsonaro — o mais diplomado da lista
Bacharel em Direito pela Universidade Candido Mendes, o senador pelo PL não parou por aí. Depois da graduação, fez especialização em Ciência Política na UFRJ, outra em Políticas Públicas no antigo Iuperj e ainda uma em Empreendedorismo pela FGV. É, dos cinco, quem mais acumulou títulos — todos girando em torno de direito, política e gestão pública.
Ronaldo Caiado — o médico que virou governador
Formado em Medicina pela Unirio, Caiado fez residência em Ortopedia e Traumatologia, se aperfeiçoou em cirurgia de coluna na Universidade de Paris e ainda tirou mestrado na área pela UFRJ. Antes de entrar para a política, exerceu a profissão — hoje é uma das principais vozes do agro na disputa presidencial, depois de anos como deputado federal e dois mandatos como governador de Goiás.
Romeu Zema — o empresário da FGV
Formado em Administração de Empresas pela FGV, Zema assumiu a gestão do Grupo Zema, negócio da família, antes de entrar para a política. Sua formação é a mais ligada ao mundo corporativo entre os cinco nomes.
Lula — o torneiro mecânico que virou presidente
Lula nunca pisou numa universidade como aluno. Sua formação formal é o curso técnico de torneiro mecânico feito no Senai, ofício que exerceu antes de embarcar no movimento sindical. Ao longo da carreira pública, colecionou dezenas de títulos de doutor honoris causa — homenagens simbólicas, sem valor de graduação ou pós-graduação.
Renan Santos — o direito que ficou pela metade
Fundador do MBL e hoje à frente do partido Missão, Renan Santos começou Direito na USP, mas não terminou o curso. Sua trajetória se construiu fora da sala de aula: no movimento estudantil, no empreendedorismo e, mais recentemente, na articulação política nacional — inclusive na organização do processo de impeachment de Dilma Rousseff.
Comparação histórica
A Constituição não exige diploma para ocupar o Planalto, e a história recente prova isso na prática. Lula governou dois mandatos sem ter concluído o ensino fundamental. Mas a regra também não é garantia de preparo técnico: Fernando Collor e Dilma Rousseff, ambos economistas pela mesma UFRGS, tiveram mandatos interrompidos por impeachment. Sarney, Temer e Tancredo Neves vieram do Direito — a formação mais recorrente entre os presidentes desde a redemocratização. FHC teve doutorado em Sociologia. Itamar Franco era engenheiro.
Nesse retrospecto, chama atenção o caso de Flávio Bolsonaro: nenhum presidente eleito desde 1985 chegou ao cargo com um currículo de pós-graduação tão extenso quanto o dele, que combina Ciência Política, Políticas Públicas e Empreendedorismo — uma combinação que dialoga diretamente com as funções de gestão pública que o cargo exige.
Já entre os concorrentes diretos na corrida de 2026, o quadro é mais heterogêneo: Caiado tem uma formação técnica sólida, mas fora da administração pública; Zema vem da gestão privada; Renan Santos não concluiu a graduação. Resta saber se, na hora do voto, o eleitor vai pesar esse tipo de credencial — ou se, como mostra a trajetória de Lula, isso acaba pesando pouco nas urnas.
| Nome | Área de formação | Experiência profissional antes da política |
|---|---|---|
| Lula | Formação técnica | Metalurgia e sindicalismo |
| Flávio | Direito | Advocacia |
| Caiado | Medicina | Medicina |
| Zema | Administração | Gestão empresarial |
| Renan | Direito (incompleto) | Empreendedorismo |