O infectologista Francisco Cardoso participou do ALive desta quinta-feira (30) para comentar revelações do diário pessoal de Anthony Fauci, ex-conselheiro de saúde dos Estados Unidos (EUA) e chefe médico do governo Biden durante a pandemia de Covid-19.
O senador republicano Rand Paul, presidente do Comitê de Segurança Interna do Senado dos EUA, divulgou no último fim de semana milhares de páginas do diário de Fauci, com registros sobre a pandemia entre 2019 e 2022 e discussões sobre a origem do vírus.
Paul defende a tese de que a Covid-19 surgiu a partir de um vazamento no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, e afirma que os documentos apontam possíveis omissões de Fauci e outros funcionários públicos.
Fauci comandou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas entre 1984 e 2022 e é acusado por republicanos de esconder informações sobre a origem da Covid-19 e de conduzir de forma equivocada a resposta à pandemia.
Um dos registros do diário cita uma teleconferência realizada em 1º de fevereiro de 2020, na qual cientistas discutiram com Fauci a possibilidade de uma “inserção deliberada” no vírus, incluindo a hipótese de alteração genética com a adição de uma proteína spike ao coronavírus por parte de pesquisadores chineses.
Segundo Cardoso, Fauci “já tinha causado confusão na década de 80, quando teve a epidemia de HIV e AIDS, com decisões polêmicas, atrasando algumas pesquisas, priorizando alguns remédios em doses maciças que levaram à morte muitos pacientes”.
Ainda de acordo com o infectologista, o diário é “absolutamente ridículo” e “mostra o tamanho do narcisismo e do deslumbramento que essa pessoa atingiu”. Além disso, afirmou que o norte-americano “não estava a serviço próprio”, mas “a serviço de terceiros”.
“Que fique claro para as pessoas tomarem muito cuidado com verdades prontas [como as propagadas na pandemia da Covid-19], vindas de diversos aparatos, de diversas formas, tudo com o mesmo discurso, e tomar muito cuidado também quando alguém diz que ninguém pode discordar”, afirmou Cardoso.
Segundo o infectologista brasileiro, as revelações do diário e o depoimento de Fauci no Congresso dos EUA, onde decidiu permanecer em silêncio, mostram que ele e outras pessoas estavam e continuam certas sobre a condução errada da pandemia e outras ilegalidades cometidas durante o período.
“Tudo que a gente falou sobre a pandemia de Covid, a farsa das medidas falsamente protetivas, a farsa da segurança e eficácia daquele procedimento imunizante que não imunizou ninguém, [… Que eles] usaram ONG para fazer a ponte de financiamento ilegal de ganho de função do vírus”, expôs o médico.
Ainda de acordo com Cardoso, caso Fauci tivesse “tratado com honestidade” dados sobre a Covid, “nós não teríamos feito lockdown” nem adotado outras medidas sanitárias pelos governos: “Quando nós fizemos lockdown, nós trancamos pessoas doentes e pessoas sadias em casa, aumentando a taxa de infecção e causando dano principalmente aos mais idosos. A população que mais faleceu na pandemia junto com os portadores de comorbidades”.
Ao comentar o tema, o jornalista e biólogo geneticista Eli Vieira disse que diversas pessoas foram prejudicadas “diretamente” por políticas de Fauci. Segundo ele, o infectologista “não só promoveu, como ele convenceu” políticos dos EUA a fecharem escolas, restaurantes e bares.
“Uma das grandes perdas, eu acho, da figura do Fauci é esse exagero de adoração que ele recebeu. E ele adorou receber, como o diário prova”, comentou Vieira.
ASSISTA AO PROGRAMA DE HOJE: