O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (4), durante sabatina promovida pelo portal O Antagonista, que trabalhará pela aprovação da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 caso seja eleito. O senador também criticou o debate sobre a dosimetria das penas, afirmando que o tema virou uma “esculhambação”, além de defender mudanças na estrutura administrativa do governo e no sistema eleitoral.
Ao ser questionado sobre a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, Flávio disse que acredita ter condições de aprovar a proposta no Congresso Nacional em um eventual governo. Segundo ele, a articulação política começaria ainda durante o período de transição.
“Como presidente da República, eu não tenho nenhuma dúvida que isso vai ser muito mais tranquilamente aprovado no Congresso Nacional”, afirmou.
Durante a entrevista, o candidato criticou a condução da dosimetria das penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e voltou a questionar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação do senador, um ministro da Corte impediu a aplicação de uma medida aprovada pelo Congresso Nacional.
Flávio também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes ao afirmar que ele participou da elaboração do texto sobre a dosimetria das penas junto ao relator da proposta na Câmara dos Deputados e, posteriormente, analisou questionamentos sobre sua aplicação.
“O próprio Alexandre de Moraes redigiu esse texto da dosimetria com o relator escolhido por ele”, declarou.
Na sequência, o senador voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e afirmou que houve punições injustas.
“Foi uma grande farsa que foi armada, não apenas para o presidente Bolsonaro, mas para centenas, milhares de outros inocentes que vão ser anistiados no meu governo”, disse.
Flávio também afirmou que espera contar com maioria no Congresso Nacional para aprovar mudanças legislativas e constitucionais.
“Nós vamos ter a maioria no Congresso Nacional, uma maioria ainda mais ampla na Câmara e uma maioria para fazer o presidente do Senado”, declarou.
Ao longo da sabatina, o candidato rejeitou a avaliação de que um eventual governo seria conduzido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, a experiência acumulada em mais de duas décadas de vida pública o prepara para exercer a Presidência.
“Eu sou alguém que estou mais do que preparado para assumir o comando desse país. Alguém que tem a consciência e a sabedoria de como lidar com o Congresso Nacional e alguém que compreende como funciona o jogo do poder em Brasília”, afirmou.
Embora tenha dito que pretende manter os princípios e valores políticos defendidos pelo pai, Flávio afirmou que faria escolhas diferentes em alguns temas. Como exemplo, citou a vacinação contra a Covid-19.
“Eu sou um Bolsonaro vacinado, de fato, diferente do presidente Bolsonaro”, declarou.
O candidato também afirmou que pretende montar uma equipe ministerial com perfil técnico e adotar métodos de gestão inspirados na iniciativa privada.
“Eu não tenho nenhuma dúvida que eu vou montar o melhor time de ministros que esse país já viu”, disse.
Entre as propostas apresentadas para um eventual governo, Flávio prometeu reduzir a estrutura da Esplanada dos Ministérios. Segundo ele, o número atual de 39 pastas poderá cair para cerca de 26 ou 27, além da diminuição de cargos comissionados.
“Eu já falei que eu quero no mínimo a redução de 10 ministérios. Podemos chegar aí a 25. Então, se hoje nós temos 39 ministérios, chegar algo em torno de 26, 27 ministérios, eu acho que é um número ideal”, afirmou.
Outra proposta anunciada foi o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para extinguir a reeleição para presidente da República.
“Quero assumir esse compromisso público ainda na transição, conseguir aprovar essa PEC do fim da reeleição para que ela já valha para o meu mandato”, declarou.