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Credcesta abriu caminho para expansão de Vorcaro no Master

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A operação do Credcesta na Bahia foi um dos negócios que impulsionaram a expansão de Daniel Vorcaro no mercado de crédito consignado. O cartão, que fazia parte da estrutura da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), foi transferido à iniciativa privada em 2018 e, posteriormente, se tornou uma das principais operações do Banco Máxima, que depois passou a se chamar Banco Master. As informações são do portal Poder 360.

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A entrada de Vorcaro no negócio ocorreu por meio de uma sociedade com o empresário baiano Augusto Lima, conhecido como Guga. Naquele ano, Lima assumiu o controle da operação do Credcesta e buscava capital para ampliar a concessão de empréstimos a servidores públicos da Bahia.

Antes de procurar Vorcaro, Lima havia tentado fechar uma parceria com o BMG, mas a instituição recusou a proposta. O empresário então procurou o Banco Máxima, que decidiu participar do negócio.

A história do Credcesta começou ainda sob controle estatal. O cartão era administrado pela Ebal, empresa responsável pela rede Cesta do Povo, criada para comercializar produtos básicos a preços reduzidos. A estatal acumulava prejuízos e passou a ser incluída nos planos de privatização do governo baiano.

A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou, em 2014, uma lei autorizando a venda da Ebal. A primeira tentativa de leilão ocorreu em janeiro de 2016, com valor mínimo de R$ 81 milhões, mas não houve interessados.

O governo tentou novamente vender a empresa em março de 2018, mantendo o mesmo preço mínimo. A operação também não atraiu compradores.

Durante o processo, Augusto Lima procurou Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, para discutir alternativas que tornassem o negócio mais atrativo. Wagner já havia governado o Estado entre 2007 e 2014.

Na gestão de Rui Costa, o edital foi alterado. Uma das mudanças foi a inclusão do direito de exploração do Credcesta entre os ativos oferecidos ao comprador.

A Ebal acabou vendida em abril de 2018 por R$ 15 milhões, valor R$ 66 milhões abaixo do mínimo estabelecido nas duas tentativas anteriores.

Pouco mais de duas semanas depois da aquisição, dois decretos assinados por Rui Costa ampliaram as possibilidades de utilização do programa. O Credcesta passou a oferecer crédito consignado com possibilidade de saque em dinheiro, com comprometimento de até 30% da remuneração dos servidores.

Formalmente, a Ebal foi adquirida pela NGV Empreendimentos e Participações. Em junho de 2018, a empresa transferiu a Augusto Lima o controle integral da operação do Credcesta.

Foi nesse período que Vorcaro passou a integrar o negócio.

Consignado ganha espaço no Máxima

A entrada no Credcesta coincidiu com uma forte expansão da carteira de crédito do Banco Máxima. Dados do Banco Central mostram que, no fim de 2019, a instituição tinha R$ 490,6 milhões em operações de crédito para pessoas físicas.

Desse total, R$ 153,5 milhões eram referentes a empréstimos consignados, o equivalente a 31,3% da carteira destinada a pessoas físicas.

A participação do consignado continuou crescendo nos anos seguintes. Em 2022, chegou a 85,4% das operações para pessoas físicas, sem considerar a carteira destinada a empresas.

Em abril de 2023, Augusto Lima declarou ao Brazil Journal que o Credcesta correspondia a aproximadamente 80% da carteira de crédito de varejo do banco. Na ocasião, Vorcaro também classificava o produto como o principal negócio da instituição.

A base de clientes cresceu na mesma proporção. O número de pessoas com crédito ativo no banco passou de 33.685 no fim de 2018 para cerca de 5,8 milhões em 2024.

Nesse intervalo, o modelo foi levado para outros Estados. O Credcesta chegou a operar em outras 23 unidades da Federação e se transformou em uma das principais operações de crédito consignado voltadas a servidores públicos no país.

Venda de carteiras amplia receitas

Com o avanço da operação, o Master passou a vender carteiras de crédito para bancos, fundos de investimento e outros investidores.

A estratégia permitia antecipar recursos que seriam recebidos futuramente com o pagamento dos empréstimos. Dessa forma, o banco obtinha liquidez para continuar expandindo suas operações.

Documentos contábeis do Master enviados à CPI do Crime Organizado mostram que a instituição registrou R$ 1,6 bilhão em 2024 com a revenda de carteiras do Credcesta. A receita proveniente dos juros dos empréstimos originais aos servidores ficou em R$ 709 milhões no mesmo ano.

Entre 2022 e 2024, a comercialização das carteiras do Credcesta teria gerado R$ 2,4 bilhões, enquanto os juros das operações somaram R$ 1,9 bilhão.

Em 2024, o banco também declarou R$ 10,5 bilhões em direitos a receber relacionados ao produto.

A expansão do Credcesta ocorreu junto com o crescimento do próprio Master. Segundo o balanço auditado de 2024, os depósitos da instituição passaram de R$ 30,5 bilhões em 2023 para R$ 49,9 bilhões no ano seguinte.

Os ativos totais avançaram de R$ 36,1 bilhões para R$ 63 bilhões no mesmo intervalo. O patrimônio líquido passou de R$ 2,4 bilhões para R$ 4,7 bilhões.

Os dados da evolução da carteira de crédito têm como base informações do Banco Central e documentos contábeis apresentados pelo próprio banco. As informações financeiras do Master passaram posteriormente a ser alvo de questionamentos em razão de inconsistências identificadas na situação da instituição.

Citados não respondem

Procurado para comentar as negociações envolvendo o Credcesta, Jaques Wagner afirmou que já prestou os esclarecimentos necessários e que os questionamentos sobre o procedimento estão sendo tratados por sua defesa.

Rui Costa foi procurado, mas não respondeu aos pedidos de manifestação.

O governo da Bahia, atualmente comandado por Jerônimo Rodrigues, informou que o contrato do Credcesta está em análise pelas áreas competentes e defendeu a manutenção do programa. Segundo o governo, a operação é administrada pela iniciativa privada desde 2018.

Augusto Lima, Daniel Vorcaro e a NGV Empreendimentos também foram procurados, mas não responderam.

O PT igualmente não apresentou manifestação sobre o caso.





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