A confirmação de Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato ao governo de Minas Gerais (MG) provocou uma “reorganização” nas estratégias das campanhas de direita no Estado, segundo o jornal O Globo. Depois de semanas de indefinição, o senador recebeu na última sexta (07) o aval do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para entrar na corrida.
Segundo o jornal, a revisão envolve a decisão sobre elevar ou não o tom contra o senador, o espaço a ser ocupado na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e a busca pelo apoio de prefeitos do interior.
No PSD, o governador Mateus Simões prepara ajustes para os próximos dias. A princípio, a mudança não deve envolver “ataques” ao senador. Os dois disputam principalmente os votos de eleitores independentes e da direita “não bolsonarista”.
“Eu e Cleitinho sempre tivemos uma boa relação. Acho que não vamos assistir ataques diretos. Eu tenho a tranquilidade de ter ao longo desses anos discutido uma série de assuntos com ele, conseguindo convergir em alguns, enquanto não conseguimos em outros. Faz parte. Do meu lado, será foco integral nas entregas e proposta de avanços”, disse o governador ao jornal.
A principal aposta de Simões será a propaganda eleitoral gratuita, com o objetivo de ampliar seu nível de conhecimento entre os eleitores. A estimativa é que ele tenha entre 3 minutos e 20 segundos e 3 minutos e 40 segundos de exposição, após a adesão da federação União-Progressista à coligação.
Antes de apoiar o governador, o bloco partidário chegou a considerar Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil de Zema, para o Executivo estadual. Aro rompeu publicamente com Simões e tentou viabilizar um projeto próprio, além de uma aliança com outras siglas de direita.
A articulação perdeu força após o lançamento de Flávio Roscoe, empresário e ex-presidente da Fiemg, pelo PL. Na sequência, Aro foi anunciado como “candidato avulso” ao Senado pela federação. Desde a semana passada, porém, busca uma aproximação com Cleitinho e participou da coletiva que anunciou o nome do senador ao governo mineiro.
Aro é visto como um ativo eleitoral pela capacidade de articulação com prefeitos do interior, construída durante sua passagem pelo governo Zema.
A chapa majoritária também terá Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-presidente da Associação Mineira de Municípios. A entidade reúne representantes de 838 das 853 cidades de Minas Gerais. Aliados de Simões, porém, minimizam a capilaridade do adversário no interior.
O entorno do governador de Minas também aposta em uma perda de pontos de Cleitinho nas próximas pesquisas, diante da instabilidade provocada pelo “vai e vem” de sua candidatura e pela reaproximação com Aro. O senador já havia criticado o ex-secretário e o chamado de “canalha”.
Já o PL decidiu manter Roscoe na disputa mesmo após a confirmação de Cleitinho. A decisão foi comunicada ao senador pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que priorizou a construção de um palanque próprio em Minas. O partido também considerou o risco de questionamentos jurídicos sobre a formalização do nome do Republicanos.
A avaliação interna, de acordo com o jornal, é que não seria seguro desmontar a chapa do PL e concentrar a estratégia estadual em uma candidatura que ainda pode ser contestada, já que Cleitinho foi oficializado após o prazo limite das convenções.
Ao aceitar o posto, Roscoe apareceu na semana passada em um vídeo ao lado de Flávio e afirmou ter sido escolhido para manter “a direita coesa” no Estado, após cerca de 120 dias de espera pela definição de Cleitinho.