O programa ALive desta quinta-feira (13) recebeu Gilmar Espírito Santo, que prestou serviços à Embaixada da Índia de 1994 até este ano. Recentemente, ele enfrentou um câncer agressivo e teve de amputar uma perna. Após o procedimento, recebeu em sua residência a visita do secretário administrativo do embaixador, que o pressionou a assinar uma carta de demissão em inglês.
Segundo o ex-motorista da embaixada, a demissão o deixou “muito chateado” e o fez se sentir um “zé ninguém” pela forma como foi conduzida e pela situação em que se encontra. Ele também afirmou que as embaixadas “não respeitam a lei trabalhista do Brasil”.
“Eu fico muito chateado, eu pensava que eu nunca ia chegar a isso. Já vi vários motoristas, mensageiros, roupeiros [passando por situação igual], e eu acho isso uma tremenda sacanagem”, afirmou Gilmar.
“Eu praticamente perdi a minha vida toda lá dentro. Entrei lá com 19 anos, hoje estou com 50 anos e nem estou pelo INSS, que, se Deus quiser, mês que vem. E como uma empresa quer te mandar, antes de você aposentar, mandar você embora? Eu praticamente não entendo a cabeça deles”, criticou.
Ainda de acordo com o ex-motorista, ele está sobrevivendo com a ajuda da família: “Olha, se não é a família da gente, que eu tenho três irmãos, se não são os irmãos da gente a ajudar a gente nessa hora, eu vou falar para vocês, a gente passa fome”.
“Nessa hora, a gente, que precisa da empresa, é a hora que eles mandam embora e viram as costas para você e não estão nem aí”, completou.
Gilmar ainda revelou no programa que exercia diversas outras funções além das atribuições que lhe cabiam. Segundo ele, mesmo como motorista, servia, em festas da embaixada, diversas pessoas, como deputados e embaixadores de outros países.
Esses eventos, de acordo com ele, eram pagos por fora, mas, mesmo assim, era praticamente obrigatório participar. Caso contrário, ficaria malvisto no local: “‘A gente está arrumando serviço para ele, ele não quer trabalhar, não quer fazer nada’”.