Representantes do governo Lula (PT) e integrantes do governo Trump retomam nesta segunda-feira (31) as negociações sobre o tarifaço aplicado pelos EUA a produtos brasileiros. A reunião será virtual, às 14h30, e marca a reabertura do canal de diálogo entre os dois países.
Pelo Brasil, participam das tratativas os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), além de assessores do presidente Lula, como o diplomata Audo Faleiro. Antes da conversa com os americanos, os ministros se reuniram no Itamaraty para definir a posição que será apresentada ao governo Trump.
A retomada das negociações ocorre cerca de 10 dias depois de uma conversa telefônica entre Lula e Trump. Em 21 de agosto, os presidentes falaram por aproximadamente 1 hora e 20 minutos e concordaram em reabrir as discussões sobre as tarifas. O governo petista alega que o tarifaço é infundado.
Segundo o Palácio do Planalto, os presidentes também trataram de conflitos internacionais e da decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. No tema comercial, Lula contestou as justificativas apresentadas por Washington e defendeu a retomada das conversas.
Os EUA aplicaram duas sobretaxas sobre produtos brasileiros. A primeira é de 25%, baseada na alegação de que o Brasil adota práticas desleais contra empresas americanas em seis setores, incluindo PIX, desmatamento, propriedade intelectual e etanol.
A segunda acrescenta 12,5% sobre produtos de países que, segundo Washington, não impediram ou fiscalizaram adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Em determinados produtos, as duas cobranças podem resultar em uma tarifa total de 37,5%.
O Brasil levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC), sob o argumento de que as medidas americanas são discriminatórias e violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos na entidade. Washington afirmou estar “à disposição” para negociar, mas ainda não indicou se haverá redução ou retirada das tarifas.