Andrei Rodrigues está com os dias contados. Se André Mendonça quiser, já tem elementos suficientes para autorizar uma investigação contra o diretor-geral da Polícia Federal. Em seguida, decretar seu afastamento do comando da PF, providenciar buscas em seus endereços, a apreensão de seus celulares e computadores e, quem sabe, até determinar uma prisão cautelar.
Em seu primeiro e único depoimento (até agora) ao gabinete do ministro do Supremo, Daniel Vorcaro acusou Andrei de obter benefícios da relação com o Banco Master, de inviabilizar sua delação premiada e de conduzir a investigação do caso “para um lado”, usando a mídia, com vazamentos seletivos, para “intimidar todos”.
Quem acompanhou o vai-e-vem das investigações não duvida, nem por um momento, das acusações de Vorcaro. Já sabemos que o diretor da PF bebeu Macallan num evento milionário do Master, vimos as propostas de colaboração do banqueiro serem engavetadas, os vazamentos seletivos e também a resistência em se investigar Augusto Lima, o sócio petista.
Agora, porém, outros detalhes vão surgindo. Sabemos que a delação de Vorcaro vai atingir o núcleo do governo Lula, pois o banqueiro comprou meio PT para evitar a liquidação do Master e sua prisão. Ele foi bem claro ao dizer: “Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que acabei fazendo relação para me proteger.”
E nada melhor para se proteger do que comprar a Polícia, o Ministério Público e o Judiciário. Segundo Vorcaro, “nesses momentos, teve uns casos em que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude”. É provavelmente o caso de Andrei Rodrigues, que agora sabemos tinha uma “relação” com o banqueiro bandido.
Vorcaro explica que Andrei não só “frequentou eventos” do Master, vários deles; mas “participou de todo esse crescimento do banco”. Participar do crescimento é diferente de acompanhar. Fica a suspeita de que o atual diretor da PF lucrou com esse crescimento. E o banqueiro diz que gostaria de narrar “diversas outras situações”.
Vale notar que Vorcaro elogia a PF — “é uma instituição que eu respeito e que todo brasileiro tem orgulho”–, mas que “tem pessoas lá dentro que estão utilizando da organização para fazer proteções pessoais e para fazer política”. Ele mesmo conclui, que toda a tortura física e psicológica, o isolamento, tudo foi feito para silenciá-lo “até passar todos os interesses políticos” — ou seja, até passar as eleições.
É oportuno, portanto, que Mendonça tome logo providências. O Brasil não pode ir para as urnas, daqui a um mês, sem saber o que Lula e seu diretor da PF fizeram de errado. Esclarecer esse episódio é iluminar a democracia.
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