O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), episódios que classificou como tortura física e psicológica durante o período em que esteve preso. Segundo ele, os problemas começaram nas primeiras transferências após sua prisão na Operação Compliance Zero.
Vorcaro afirmou que, durante o deslocamento de São Paulo para Brasília, ficou por horas em um espaço sem ventilação antes de ser levado para o transporte aéreo.
“Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo.”
Segundo o banqueiro, ao deixar o local, ouviu ainda uma ameaça relacionada à possibilidade de revelar informações sobre autoridades.
“Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso.”
Vorcaro também relatou outro episódio durante um voo de helicóptero para uma unidade prisional federal. De acordo com sua versão, agentes fizeram comentários sobre a possibilidade de jogá-lo da aeronave.
“Aí o outro ia e comentava: ‘É mais fácil, de repente, jogar ele daqui.’ Estava no helicóptero; isso, no ar.”
Chegada à penitenciária
O ex-controlador do Master também descreveu a chegada à Penitenciária Federal. Segundo ele, foi submetido a procedimentos de revista e raspagem e, posteriormente, questionado sobre em qual ala pretendia permanecer.
“Eu cheguei, todo despido, todo rapado; e a primeira pergunta que me fazem é qual pavilhão que eu quero ficar, se o pavilhão do Comando Vermelho ou do PCC.”
Vorcaro afirmou ainda que permaneceu isolado e teve dificuldades para manter contato com seus advogados nos primeiros dias.
Ele separou esses episódios de outros problemas que afirma ter enfrentado em unidades prisionais estaduais.
“Aqui, eu fui… Antes daqui, eu fui torturado. Essa é a realidade. Eu fui torturado psicologicamente, fisicamente em outros casos. E, desde que eu vim para cá, graças a Deus, eu não tive mais nenhum tipo de problema.”