Os advogados Paulo Faria e Filipe de Oliveira pediram à Comissão de Controle dos Arquivos da Interpol o bloqueio provisório de dados e alertas que possam ser utilizados para localizar, prender ou apoiar a extradição do perito Eduardo Tagliaferro.
A defesa também solicitou acesso aos registros, preservação de documentos e correção ou exclusão de informações caso sejam identificadas irregularidades. O pedido busca esclarecer quais dados foram utilizados na cooperação policial internacional.
Tagliaferro vive atualmente na Itália e responde a uma ação penal no Brasil por suposta violação de sigilo funcional. Ele chefiou a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a gestão de Alexandre de Moraes.
A defesa sustenta que existem divergências entre documentos apresentados às autoridades italianas para fundamentar a prisão e a extradição e os registros oficiais da Petição 12.936, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa aponta divergências em documentos
Segundo os advogados, o pedido de extradição apresentado às autoridades italianas foi acompanhado de três documentos:
- manifestação da Procuradoria-Geral da República, de 30 de julho de 2025;
- decisão atribuída a Alexandre de Moraes, de 31 de julho de 2025;
- mandado de prisão preventiva da mesma data.
Faria e Oliveira afirmam que os documentos não aparecem nos registros oficiais da Petição 12.936 nas datas indicadas. A defesa cita uma certidão emitida pelo próprio STF em 22 de agosto de 2026.
De acordo com os advogados, após uma movimentação registrada em 21 de maio de 2025, o processo só apresenta novo registro em 1º de agosto daquele ano.
A defesa também questiona a existência de um mandado de prisão que, segundo afirma, não consta no banco nacional do Conselho Nacional de Justiça.
Com base nessas divergências, os advogados pedem à Interpol a preservação dos arquivos recebidos e a verificação da origem e do conteúdo das informações junto ao Escritório Central Nacional da organização em Brasília.
Se as inconsistências forem confirmadas, a defesa quer a correção ou exclusão definitiva dos dados. Também solicita que eventual alteração seja comunicada aos países e autoridades que tenham recebido informações sobre Tagliaferro, especialmente ao escritório da Interpol em Roma.
Pedido inclui dados e alertas internacionais
Os requerimentos também abrangem dados pessoais, comunicações, alertas e pedidos de localização ou prisão provisória relacionados ao perito.
A defesa afirma que a solicitação tem caráter documental e cautelar. O objetivo, segundo os advogados, é verificar se as informações utilizadas na cooperação policial internacional correspondem aos registros oficiais brasileiros.
Faria e Oliveira ressaltam que não pretendem discutir com a Interpol o mérito das acusações contra Tagliaferro nem alterar decisões da Justiça brasileira.
No fim de agosto, os advogados já haviam pedido ao Ministério da Justiça a revisão dos documentos utilizados pelo governo brasileiro no processo de extradição. Eles também encaminharam uma comunicação à Embaixada da Itália no Brasil e afirmaram não ter recebido o devido retorno.
A ação penal contra Tagliaferro está relacionada à divulgação de mensagens que deram origem ao episódio conhecido como Vaza Toga.