Coincidentemente, horas antes do julgamento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decide se investiga Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, vazaram para a imprensa diálogos do celular do dono do Banco Master que citam filhos de dois ministros da Corte, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Os vazamentos desta manhã ocorrem na esteira de uma articulação pró-Moraes dentro da Corte, com aliados do ministro buscando a nulidade do relatório da PF que revelou sua relação com Vorcaro e a suspeição de magistrados para impedir o avanço da investigação.
Os diálogos foram publicados pelo site UOL e pelo jornal O Globo depois que o conteúdo do aparelho foi encaminhado aos gabinetes de Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e do próprio Moraes. Até então, as conversas estavam sob sigilo.
Em uma das frentes das mensagens, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, menciona em conversas com Vorcaro pagamentos de “R$ 500 mil por mês” ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Em outubro de 2024, Rennó enviou uma planilha com o nome e o telefone de Kevin acompanhada da legenda “Dominado aqui”.
Em 2025, questionou se o valor seria mantido e, posteriormente, afirmou que a Consult estava ausente dos “pagamentos essenciais”. Dados do Coaf indicam que a Consult Inteligência Tributária, de Teresina, recebeu R$ 6,6 milhões do Master em um ano. Kevin nega ter trabalhado para o banco ou recebido pagamentos de Vorcaro. Segundo ele, os R$ 281,6 mil recebidos da Consult foram referentes a serviços tributários sem relação com o STF.
Outro conjunto de mensagens envolve Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux. As conversas com Vorcaro ocorreram entre maio de 2024 e agosto de 2025. O banqueiro pediu “ajuda num caso” não identificado, os dois combinaram encontros em diferentes cidades e Vorcaro ofereceu ao advogado e à família convites para um camarote no Carnaval do Rio.
Em março de 2025, Rodrigo ainda teria orientado o banqueiro a enviar um email à secretária de seu pai no STF, com assunto desconhecido. A assessoria do filho do magistrado afirma que a aproximação comercial nunca se concretizou e que ele não recebeu valores.
Os registros são fragmentados e não comprovam contratação, pagamento efetivo aos filhos dos ministros ou interferência em decisões judiciais. No caso de Kevin Marques, as referências a supostos valores aparecem em uma conversa entre terceiros.