O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ontem (15) que “ministros de Lula” atuaram no Supremo Tribunal Federal (STF) para “blindar” Alexandre de Moraes. A declaração ocorreu em Fortaleza (CE), após pedido de vista de Flávio Dino interromper a sessão que analisaria a abertura de investigação contra Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro.
A sessão terminou sem decisão definitiva. O placar estava em 4 a 3 pela manutenção dos casos de Moraes e André Mendonça em processos separados quando Dino pediu vista. Pela regra atual, o ministro tem até 90 dias para devolver o processo. O mérito sobre a abertura da apuração contra Moraes não chegou a ser analisado.
Durante o julgamento, houve uma articulação pró-Moraes dentro da Corte. Aliados do ministro, entre eles Dino e Gilmar Mendes, defenderam medidas que poderiam reunir os casos de Moraes e Mendonça e questionaram a condução de Edson Fachin, presidente da Corte.
Flávio Bolsonaro afirmou em Fortaleza que o pedido de vista impediu o avanço da investigação. “Hoje é um dia de esperança para o povo brasileiro. O Alexandre de Moraes será investigado pelos crimes que em tese ele cometeu. Só não aconteceu hoje porque a tropa de choque do Lula no Supremo entrou em campo, em especial o Flávio Dino, ex-ministro da injustiça de Lula, que pediu vista depois que ele já tinha lançado o próprio voto dele”, afirmou o senador.
“Mas é um alento saber que se fosse há um ano, ninguém imaginaria que isso pudesse acontecer. Então o julgamento vai avançar. E fica aí o recado: ninguém pode acreditar que, com o Lula reeleito, alguma coisa vai mudar nesse país”, acrescentou.
“Então, a minha leitura é que acaba, assim, sendo positivo, apesar de algumas intempéries ali, como uma tentativa de blindagem do Alexandre de Moraes para tentar garantir a imunidade dele, que não vai acontecer”, continuou Flávio.
O candidato do PL também voltou a defender mudanças na composição do Supremo por meio de futuras indicações presidenciais. Segundo ele, o próximo presidente poderá indicar ao menos quatro ministros. Flávio considera cinco nomeações ao incluir um eventual impeachment ou afastamento de Moraes.
“O único caminho para o Brasil viver é a eleição de Flávio Bolsonaro, que vai indicar mais cinco ministros do Supremo que vão estar a serviço da Constituição e não de Lula. Então o Supremo, sem os ministros de Lula, tem solução. O Judiciário tem jeito”, afirmou.
“Todo mundo viu ali que os ministros do Lula trabalharam forte para blindar o Alexandre de Moraes. Todo mundo viu o PGR, que é citado nas investigações, dando sua opinião também, o que é completamente um tapa na cara da população brasileira”, continuou Flávio. “E, mais do que nunca, todo mundo está vendo que votar em Lula é votar em Alexandre de Moraes. Os ministros do Lula estão apostando tudo na eleição do Lula para tentar garantir a impunidade do Alexandre de Moraes”.
Flávio disse ainda que pretende indicar ministros conservadores: “Eu vou indicar cinco ministros do Supremo, homens e mulheres, que sejam contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição acima de tudo e que estejam lá pra obedecer à Constituição e não pra ficar defendendo interesses pessoais como o que está acontecendo hoje lá no Supremo”.