A pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada nesta terça-feira (22) aponta que 85,1% dos entrevistados consideram que há envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Banco Master. O percentual representa uma alta de 19 pontos porcentuais em relação ao levantamento realizado em março, quando 66,1% tinham essa percepção.
Segundo a nova pesquisa, 4,4% dos entrevistados afirmaram não acreditar em envolvimento direto de integrantes da Corte. Outros 10,5% disseram não saber responder. Em março, os índices eram de 14,9% e 18,9%, respectivamente.
O resultado mede a percepção dos entrevistados sobre o caso e não constitui, por si só, evidência de participação de ministros do STF em irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Pesquisa ocorre durante crise no Supremo
O levantamento foi realizado entre 17 e 21 de setembro, período marcado pelo avanço das investigações envolvendo o Banco Master e pela divulgação de informações sobre contatos entre Daniel Vorcaro e integrantes do Judiciário.
A crise ganhou novos contornos após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos da Polícia Federal relacionados às investigações. O material inclui mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O caso também provocou divergências públicas entre integrantes do Supremo. Em uma das sessões destinadas a discutir os desdobramentos das investigações, houve confronto entre ministros, enquanto Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise.
A pesquisa foi realizada antes da divulgação de novos desdobramentos que continuaram a alimentar a discussão pública sobre as relações entre Vorcaro e integrantes da Corte.
Percepção varia entre grupos
Os dados da AtlasIntel também mostram diferenças na percepção de acordo com características demográficas e eleitorais dos entrevistados.
Entre os grupos apresentados pelo levantamento, os maiores percentuais de respostas indicando envolvimento direto aparecem entre pessoas de 16 a 24 anos, moradores da Região Norte, eleitores que não votaram no segundo turno da eleição presidencial de 2022 e evangélicos.
Já entre os grupos com maiores índices de respostas negativas estão os entrevistados que se identificam como agnósticos ou ateus, pessoas com renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, brasileiros de 60 a 100 anos e eleitores que declararam ter votado em Lula (PT) no segundo turno de 2022.
O levantamento também aponta diferenças por sexo, escolaridade, religião e região. A percepção de envolvimento direto foi maior entre homens e aumentou conforme o nível de escolaridade. Entre as regiões, o Nordeste apresentou percentual inferior ao registrado em outras áreas do país.
Metodologia
A pesquisa AtlasIntel/Estadão ouviu 1.852 adultos em todo o Brasil. A coleta foi realizada por meio do recrutamento digital aleatório utilizado pela AtlasIntel.
A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo Estado.