O Banco Central (BC) elevou de 79% para 90% a probabilidade de a inflação superar o teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta no último trimestre de 2026. A estimativa consta do Relatório de Política Monetária divulgado na manhã desta quinta-feira (24).
No cenário de referência, o BC projeta IPCA de 5,2% no fim de 2026, após uma taxa de 4,4% no terceiro trimestre. Com isso, a inflação deve ficar acima do limite superior da meta por dois trimestres consecutivos.
A permanência acima de 4,5% não representa, por si só, descumprimento da meta de 3%. Desde 2025, o objetivo é considerado descumprido apenas quando a inflação permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, que vai de 1,5% a 4,5%.
“Ressalte-se que os choques de clima e petróleo exercem pressão relevante sobre as projeções para horizontes próximos, mas que a projeção considera uma devolução nos horizontes mais distantes”, afirma o BC.
O relatório também mostra uma revisão significativa na expectativa para o consumo das famílias. A projeção de crescimento em 2026 caiu de 2,1% para 1,2%, enquanto a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 2% para 1,8%.
Segundo o BC, os primeiros dados do terceiro trimestre apontam uma “atividade mais fraca do que a anteriormente prevista”. O desempenho do segundo trimestre também apresentou uma composição menos favorável.
O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, depois de avançar 0,8% no primeiro trimestre. De acordo com o BC, o crescimento no início do ano foi impulsionado pelo reajuste do salário-mínimo e pela isenção ou redução do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para as faixas iniciais de renda.
Apesar de o PIB agregado ter apresentado resultado acima do esperado, o BC afirma que “os setores mais cíclicos da oferta e o consumo das famílias, por sua vez, surpreenderam em sentido oposto”.
Para 2027, a autoridade monetária estima crescimento de 1,4% no consumo das famílias. A projeção considera um cenário de desaceleração do mercado de trabalho, com menor expansão da população ocupada e dos rendimentos, além da permanência de níveis elevados de endividamento e comprometimento da renda com o pagamento de dívidas.