A Caixa Econômica Federal ajuizou nesta quinta-feira (24) um dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para tentar solucionar o impasse com os empregados, que estão em greve há 15 dias. A decisão foi tomada após uma audiência de mediação realizada na quarta-feira (23) terminar sem acordo entre o banco e as entidades sindicais.
A paralisação começou em 10 de setembro e continua por tempo indeterminado. Com o processo, a negociação sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) passa a ser analisada também no âmbito da Justiça do Trabalho. Ainda pode haver novas tentativas de conciliação durante a tramitação do dissídio.
A Caixa informou aos empregados que também solicitou ao TST uma medida excepcional e temporária para manter os benefícios previstos no acordo anterior, nas condições vigentes até 31 de agosto de 2026, enquanto o processo estiver em julgamento.
Em nota, o banco afirmou que realizou diversas rodadas de negociação e apresentou propostas com alterações ao longo das tratativas. Segundo a instituição, apesar das tentativas de aproximação, não foi possível chegar a um consenso.
Saúde Caixa concentra impasse
O principal ponto de divergência é o modelo de custeio do Saúde Caixa. Na proposta mais recente, o banco manteve para 2026 a ausência de reajuste das mensalidades e assumiu o déficit do plano naquele ano.
Para 2027, a proposta prevê contribuição de 3,7% da remuneração-base do titular, cobrança de valores para dependentes e aumento de 7% para 9% do limite de comprometimento da remuneração do grupo familiar. Também não haveria cobrança diferenciada por faixa etária.
Os trabalhadores, porém, apontam impacto financeiro sobre os empregados e seus dependentes. Entre os pontos questionados está ainda o aumento da cobrança por consultas em pronto-atendimento, que passaria de R$ 75 para R$ 120.
Além do plano de saúde, as entidades sindicais mantêm reivindicações relacionadas ao trabalho remoto, carreira, empregados contratados depois de 2018 e modelo de atendimento.
Mediação terminou sem consenso
A tentativa mais recente de acordo ocorreu na quarta-feira (23), em audiência realizada no TST a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT). Participaram representantes da Caixa, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec).
O encontro terminou sem consenso, embora o TST tenha informado que as negociações podem ser retomadas a qualquer momento.
O Comando Nacional dos Bancários deve discutir os próximos passos após o ajuizamento do dissídio. As entidades sindicais defendem a continuidade das negociações e afirmam que a judicialização não encerra a possibilidade de um acordo.