Home Nóticias Com ex-assessora envolvida no Master, Gilmar cobra reforma em precatórios

Com ex-assessora envolvida no Master, Gilmar cobra reforma em precatórios

by admin
0 comentário

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou no domingo (27) uma investigação mais ampla sobre os precatórios comprados pelo Banco Master. Precatórios são dívidas que o governo precisa pagar depois de perder uma ação na Justiça. O Master, de Daniel Vorcaro, comprava esses créditos com desconto de empresas que tinham valores a receber da União.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Uma pessoa próxima ao ministro trabalhou nesse negócio. A advogada Dalide Corrêa foi diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) por sete anos. O IDP é uma faculdade de direito em Brasília fundada por Gilmar, que ainda é sócio da instituição.

Em 2024, o escritório de Dalide recebeu R$ 33 milhões do Master. O dinheiro pagou a atuação dela em processos de precatórios de usinas de açúcar e álcool. São justamente os precatórios que Gilmar agora quer investigar. A publicação do ministro não menciona a ex-diretora.

A Polícia Federal encontrou mensagens em que a cúpula do banco trata Dalide como “sócia” de Gilmar. O ministro nega qualquer sociedade com a advogada.

O que Gilmar pediu

“É necessário que a Corregedoria Nacional de Justiça amplie o trabalho já iniciado”, afirmou Mendes.

O ministro pediu “uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais, sobretudo no TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), para rastrear outros precatórios marcados por irregularidades e depurar a fila de pagamentos da União”.

Gilmar também defendeu uma “profunda reforma nas instituições do país”. Para ele, as práticas reveladas pelo caso Master atingiram tribunais, o sistema financeiro e órgãos de controle como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Sócia do GM”

As mensagens estavam no celular de Vorcaro e foram analisadas pela PF. Numa delas, Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Master, escreve ao banqueiro: “Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf!”. “GM” são as iniciais de Gilmar Mendes.

Em outra mensagem, o diretor financeiro do banco, Ângelo Ribeiro, mandou pagar o escritório da advogada. Ele descreveu o escritório como “canal direto com o STF”. A cúpula do Master também discutiu um pagamento de R$ 15 milhões ligado ao processo de uma usina.

Segundo o jornal O Tempo, o Master também pagava R$ 500 mil por mês a Chiquinho Feitosa, então cunhado do ministro.

A relação entre Dalide e Gilmar

Os dois se conheceram quando Gilmar era advogado-geral da União, no governo Fernando Henrique Cardoso. Dalide trabalhava na Caixa. Depois, ela chefiou a assessoria parlamentar do STF e assumiu a direção do IDP.

O gabinete do ministro diz que Dalide ocupava um cargo técnico no instituto e saiu em novembro de 2016. Gilmar afirma que se afastou dela depois disso. Ele diz que as frases dos executivos do Master são falsas e que votou contra os interesses do banco em todas as ações das usinas. Segundo a Gazeta do Povo, a PF não encontrou indícios de que o ministro tenha favorecido o Master.

A defesa de Dalide diz que ela “jamais atuou para o Master no STF”. Segundo o escritório, o trabalho se limitou a processos de primeira e segunda instância de empresas que venderam créditos ao banco.

Como funcionava o negócio

Gilmar chamou o esquema do Master de “um modelo de negócios parasitário”. Segundo o ministro, o banco comprava os créditos com desconto. Depois, registrava esses créditos no balanço por valores maiores e os usava como garantia para captar dinheiro no mercado.

Parte desses créditos vinha de usinas que cobram da União indenizações pelo controle de preços dos anos 1980 e 1990. De acordo com Gilmar, decisões judiciais favoráveis na fase de cálculo podiam aumentar o valor dos precatórios.

A maior parte dos processos está no TRF-1. Segundo o ministro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já cancelou 16 precatórios que o tribunal expediu em favor de usinas. O conselho mandou devolver R$ 4,7 bilhões ao Tesouro.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 estima que essas ações podem custar mais de R$ 100 bilhões à União. Gilmar citou ainda um contrato de até R$ 427 milhões entre o Master e o escritório da esposa de um desembargador do TRF-1. O contrato está sob apuração.

Caso vai ao plenário

Na quinta-feira (24), Gilmar enviou ao plenário do STF a discussão sobre as indenizações pedidas pelas usinas. O processo envolve mais de R$ 100 bilhões. O ministro quer que a Corte decida se as empresas precisam de perícia para comprovar os prejuízos que alegam.

As apurações também chegaram a ações sobre a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Gilmar, créditos que ainda estavam em discussão na Justiça viravam precatórios. Em alguns casos, eram vendidos a fundos de investimento.

Magistrados e advogados na mira

Gilmar defendeu uma investigação criminal mais profunda sobre a possível participação de magistrados e advogados no esquema. Para o ministro, o Ministério Público Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho da Justiça Federal devem apurar os fatos, cada um na sua área.





Source link

You may also like

Design sem nome (84)

Sua fonte de notícias para brasileiros nos Estados Unidos.
Fique por dentro dos acontecimentos, onde quer que você esteja!

TV BRAZIL USA- All Right Reserved. Designed and Developed by STUDYO YO