A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram ontem (1º) “profunda indignação” com a “intervenção judicial” que resultou no cancelamento do último debate presidencial antes do 1º turno, previsto para ser realizado pela Globo.
Em nota conjunta, as entidades defenderam a emissora e contestaram as decisões judiciais que modificaram as regras previamente estabelecidas pela Globo com os partidos.
O debate acabou cancelado após uma sequência de decisões judiciais e das desistências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), sendo que o senador deixou de participar somente após as medidas. A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha proibiu a Globo de manter no estúdio o púlpito reservado a Lula e de permitir que os candidatos presentes dirigissem perguntas ao petista. Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no confronto.
“As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos”, afirmaram.
As associações também classificaram as decisões como “excessos judiciais” e afirmaram que as medidas afetaram o direito dos eleitores de conhecer as propostas dos candidatos.
“Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate”, declararam.