O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encerra a atual legislatura em uma posição diferente daquela que o levou ao comando da Casa, em fevereiro de 2025. Eleito com apoio de partidos de campos opostos, incluindo PT e PL, o deputado se aproximou do governo Lula (PT) ao longo de 2026 e agora vê o partido de Flávio Bolsonaro fortalecido para disputar a sucessão na Câmara.
A mudança de posição ocorreu em meio à campanha eleitoral na Paraíba. Motta declarou apoio à candidatura de Lula à Presidência, enquanto buscava a participação do petista na campanha de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado. O resultado, porém, não correspondeu à expectativa: Nabor terminou em terceiro lugar, com 20,91% dos votos, atrás de João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB), eleitos para as duas vagas.
A aproximação com o Planalto também teve reflexos na atuação de Motta à frente da Câmara. Ao longo do ano, a Casa avançou em pautas de interesse do governo, enquanto o presidente da Câmara passou a manter uma relação mais próxima com o Executivo.
O cenário eleitoral, contudo, alterou a correlação de forças para a próxima legislatura. O PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027. O partido terá 24 parlamentares a mais do que na eleição anterior e ocupará cerca de 24% das 513 cadeiras.
Entre os nomes que ganham espaço na discussão sobre a sucessão está Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), atual líder do partido na Câmara. Ele foi reeleito deputado e permanecerá na Casa na próxima legislatura.
A força da bancada liberal aumenta a capacidade de negociação do partido para a escolha do próximo presidente. Em 2025, o PL participou da composição que levou Motta ao comando da Câmara. Agora, com uma bancada ainda maior, a legenda tem condições de apresentar um nome próprio para a disputa.
Motta, por sua vez, também foi reeleito deputado federal pela Paraíba e continuará na Câmara entre 2027 e 2031.
O resultado na Paraíba ainda enfraqueceu o grupo político do presidente da Câmara no Estado. Além da derrota de Nabor para o Senado, Hugo terá de administrar uma nova correlação de forças em Brasília, justamente quando o PL chega à Casa com a maior bancada.
A definição da presidência dependerá também do resultado do segundo turno presidencial. Uma eventual vitória de Lula tende a favorecer a continuidade de uma articulação entre governo e Centrão. Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o PL terá ainda mais incentivos para reivindicar o comando da Câmara.