As eleições deste domingo (4) definiram a composição da Câmara dos Deputados para a legislatura que começa em fevereiro de 2027. O PL terá, novamente, a maior bancada. Até 01h52, desta segunda-feira (5), com 99,99% das urnas apuradas, o partido contava com 106 das 513 cadeiras (20%). Em 2022, foram eleitos 99.
A consolidação dos resultados ampliou ainda mais esse número. Segundo a Agência Câmara, o PL elegeu 121 deputados federais, 22 a mais do que em 2022. A legenda terá a maior bancada de um único partido desde a promulgação da Constituição de 1988. A federação formada por PT, PCdoB e PV ficou em segundo lugar, com 82 cadeiras.
O resultado se soma ao desempenho do partido no Senado. O PL elegeu 19 senadores e deverá iniciar 2027 com 28 cadeiras, considerando os parlamentares que já possuem mandato. A legenda também terá a maior bancada da Casa no início de uma legislatura desde 1988.
Com isso, o partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro amplia sua presença nas duas Casas do Congresso. Somadas as bancadas projetadas para Câmara e Senado, o PL terá 149 parlamentares eleitos ou em mandato no início de 2027.
Nikolas bate recorde e supera 3 milhões de votos
Um dos principais resultados individuais da eleição ocorreu em Minas Gerais. Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu 3.119.314 votos, segundo a apuração praticamente concluída, e se tornou o deputado federal mais votado da história do país.
O resultado supera a marca anterior de Eduardo Bolsonaro, que recebeu 1.843.735 votos em 2018. Nikolas também havia sido o deputado federal mais votado do país em 2022, quando recebeu cerca de 1,47 milhão de votos.
A votação de 2026 representa mais que o dobro do resultado obtido por Nikolas na primeira eleição para a Câmara. O parlamentar tem 30 anos e foi vereador de Belo Horizonte antes de chegar ao Congresso.
O segundo maior resultado individual veio de São Paulo. Lucas Pavanato (PL-SP) recebeu 3.038.438 votos e também ultrapassou o antigo recorde de Eduardo Bolsonaro. Pavanato foi vereador de São Paulo e havia sido o mais votado da cidade em 2024, quando recebeu cerca de 161 mil votos.
Os dois passaram a ocupar as primeiras posições do ranking histórico de votação para deputado federal. Na sequência aparecem Eduardo Bolsonaro, Erika Hilton e Enéas Carneiro.
Pavanato também ampliou sua votação em relação à eleição municipal de 2024. A diferença entre os resultados mostra a dimensão da transferência de votos do pleito municipal para a disputa nacional.
Nikolas amplia rede de candidatos
O resultado de Nikolas não ficou restrito à própria candidatura. Durante a campanha, o deputado passou a apoiar candidatos de diferentes Estados e cargos.
Antes da eleição, ele divulgou listas de candidatos apoiados em Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Ceará e Acre, além de atuar na articulação de nomes em Minas Gerais.
Após a votação, o UOL identificou candidatos eleitos que receberam apoio direto do deputado. Entre eles estão Lucas Pavanato, em São Paulo; Júlia de Castro, no Rio de Janeiro; Guilherme Kilter, no Paraná; Ulysses Moraes, também no Paraná; Marquinho, em Goiás; Daverson Matos, em Mato Grosso do Sul; e Lucas Polese, no Espírito Santo.
Em Alagoas, Nikolas também declarou apoio a Cabo Bebeto, eleito deputado estadual. No Rio de Janeiro, Júlia de Castro conquistou uma cadeira na Câmara. No Paraná, Kilter terminou como o deputado federal mais votado do Estado.
O movimento amplia a atuação de Nikolas para além de Minas Gerais e cria uma rede de parlamentares que chegaram às urnas com apoio direto do deputado nas redes sociais.
Pavanato também reconheceu o papel de Nikolas em sua campanha e afirmou que pretende atuar na campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
PL avança em São Paulo
São Paulo também foi decisivo para o tamanho da bancada liberal. O PL conquistou 19 das 70 cadeiras destinadas ao Estado na Câmara.
Em 2022, o partido havia elegido 17 deputados. A federação PT-PCdoB-PV manteve 11 vagas. Podemos, PSD, Republicanos e a federação PSOL-Rede elegeram seis deputados cada.
Pavanato liderou a votação estadual, com 3.038.438 votos, o equivalente a 12,83% dos votos válidos para deputado federal em São Paulo.
O resultado também colocou Erika Hilton (PSOL) entre os maiores nomes da eleição proporcional. A deputada recebeu mais de 1,5 milhão de votos e aparece entre os maiores resultados individuais da história da Câmara.
Família Bolsonaro amplia presença no Congresso
A eleição também aumentou a presença da família Bolsonaro no Legislativo.
Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) foram eleitas senadoras pelo Distrito Federal. Com Damares Alves (Republicanos), que já possui mandato, o DF terá uma bancada de três mulheres no Senado a partir de 2027.
Carlos Bolsonaro (PL) foi eleito senador por Santa Catarina. Jair Renan Bolsonaro (PL) conquistou uma vaga na Câmara pelo mesmo Estado. Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente, também foi eleito deputado federal por São Paulo.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, avançou ao segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Lula.
A combinação dos resultados colocou integrantes da família Bolsonaro em diferentes posições do Congresso e na disputa presidencial.
A família Bolsonaro
- Flávio — 2º turno presidencial
- Michelle — Senado pelo DF
- Carlos — Senado por SC
- Jair Renan — Câmara por SC
- Renato Bolsonaro — Câmara por SP
Câmara terá maior bancada do PL desde 1988
O crescimento do PL é maior quando comparado à eleição de 2022. Naquele ano, a legenda elegeu 99 deputados. Agora, chega a 121.
A segunda maior força será a federação formada por PT, PCdoB e PV, com 82 deputados. O bloco havia elegido 81 parlamentares em 2022, segundo o levantamento da Câmara considerando a composição partidária
Na sequência aparecem as demais legendas. A composição final mostra PL na liderança, seguido pela federação governista. PSD, União Brasil, Republicanos, MDB e Podemos completam o grupo das maiores bancadas.
A diferença entre PL e a segunda força também aumentou. A legenda terá 39 deputados a mais que a federação PT-PCdoB-PV.
Renovação e reeleição
Apesar do avanço de novos nomes, a Câmara não terá uma renovação total. 301 deputados foram reeleitos, o equivalente a 58,6% dos titulares eleitos em 2022 ou dos suplentes que se tornaram titulares durante a legislatura.
Isso significa que pouco mais de quatro em cada dez parlamentares que ocupavam uma cadeira em 2026 não estarão de volta como titulares em 2027.
O cenário combina a permanência de parlamentares experientes com a entrada de nomes que ampliaram sua votação nas redes sociais e em movimentos políticos de direita.
PT mantém segundo lugar, mas não amplia a federação
O PT terá 67 deputados. Com PCdoB e PV, a federação chega a 82 cadeiras.
O bloco mantém uma posição relevante na Câmara, mas fica distante do tamanho alcançado pelo PL. Na Bahia, por exemplo, a federação elegeu dez deputados federais, repetindo o número de 2022.
O resultado também mostra diferenças regionais. Na Bahia, o bloco manteve força e elegeu dez representantes. Em São Paulo, ficou com 11 cadeiras, mesmo número de 2022.
No Nordeste, o PT manteve governos estaduais importantes, com reeleições de Jerônimo Rodrigues, na Bahia, e Elmano de Freitas, no Ceará. Rafael Fonteles também foi reeleito no Piauí.
O novo tamanho do PL
- 121 deputados federais
- 19 senadores eleitos
- 28 senadores projetados
- Maior bancada da Câmara desde 1988
- Maior bancada do Senado no início de uma legislatura desde 1988
O avanço da direita
A eleição também produziu resultados expressivos para nomes identificados com a direita fora do núcleo tradicional da família Bolsonaro.
Além de Nikolas e Pavanato, candidatos como Lucas Polese, Guilherme Kilter, Cabo Bebeto, Ulysses Moraes, Daverson Matos e Marquinho chegaram a cargos legislativos com apoio de lideranças digitais conservadoras.
A própria distribuição das cadeiras mostra o crescimento de candidaturas apoiadas por estruturas digitais e por parlamentares que construíram bases eleitorais próprias.
Em São Paulo, por exemplo, o PL ampliou sua bancada de 17 para 19 deputados. O resultado ocorreu em um Estado que também reelegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno.
Os recordistas
- Nikolas Ferreira — 3.119.314
- Lucas Pavanato — 3.038.438
- Eduardo Bolsonaro — 1.843.735, em 2018
- Erika Hilton — mais de 1,5 milhão em 2026
- Enéas Carneiro — 1.573.642, em 2002
Missão consegue cadeira única
A nova legislatura terá mudanças no mapa partidário. O Missão, partido de Renan Santos, terá representação na Câmara. Kim Kataguiri é o nome da legenda que já ocupava uma cadeira na legislatura atual.
A distribuição das cadeiras também reflete as mudanças partidárias dos últimos anos, com fusões, incorporações e federações alterando a comparação direta com 2018 e 2022.
O que o resultado deixa para 2027
A nova Câmara começa com uma concentração maior de cadeiras no PL. O partido terá 121 deputados, enquanto a federação liderada pelo PT terá 82.
No Senado, o PL também será a maior bancada, com 28 cadeiras projetadas, diante de nove do PT e oito do MDB.
O resultado eleitoral, portanto, não se resume à disputa presidencial. A votação de 4 de outubro alterou a composição do Congresso, ampliou a presença de nomes ligados ao bolsonarismo e colocou Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato no topo do ranking histórico de votação para deputado federal.
Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com um partido maior nas duas Casas, uma bancada ampliada de aliados e dois dos maiores fenômenos eleitorais individuais da história recente da Câmara.
A nova Câmara
- PL: 121
- PT-PCdoB-PV: 82
- Demais bancadas na sequência
- 301 deputados reeleitos
- 58,6% de taxa de reeleição