A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estatal federal vinculada ao Palácio do Planalto, foi apontada como responsável pelo problema que deixou a propaganda eleitoral do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sem áudio na televisão nesta segunda-feira (12). Segundo apuração do SBT News, a origem do problema foi a empresa pública, e a transmissão foi afetada em todos os sinais.
O programa de Flávio foi exibido por volta das 13h, no feriado de Nossa Senhora Aparecida. As imagens foram ao ar, mas o áudio não pôde ser ouvido adequadamente. Na sequência, a propaganda do presidente Lula (PT), adversário do senador no segundo turno, foi transmitida normalmente, com som.
Conheça a EBC
Criada em 2008, durante o segundo governo Lula, a Empresa Brasil de Comunicação é responsável por veículos públicos como a TV Brasil, a Agência Brasil e as rádios Nacional e MEC. A estatal é vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), atualmente comandada pelo ministro Sidônio Palmeira, que trabalhou no marketing da campanha presidencial de Lula em 2022.
Desde abril, a presidência da EBC está sob o comando de Antonia Pellegrino. Roteirista e produtora cultural, ela colaborou no roteiro de “Democracia em Vertigem”, documentário dirigido por Petra Costa sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a ascensão política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O filme foi indicado ao Oscar de melhor documentário em 2020.
Pellegrino chegou à EBC em 2023, no início do atual governo, como diretora de Conteúdo e Programação. Depois, substituiu André Basbaum na presidência da empresa.
Flávio questiona o ocorrido
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que seu programa foi transmitido sem som, enquanto o de Lula teve áudio normal. O senador também questionou se o episódio teria sido acidental.
“Hoje, pela primeira vez na história de uma campanha presidencial, o meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo”, declarou. “O do Lula tava com som, tudo OK, mas o meu transmitido sem som.”
“Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência. Eles acham que vão calar minha voz, não vão calar, não vão conseguir”, afirmou. O candidato também pediu que apoiadores compartilhassem o programa nas redes sociais e em grupos de WhatsApp.
A campanha de Flávio declarou que entregou o material “em perfeitas condições” e que o arquivo havia sido “averiguado e auditado pela plataforma homologada”. A equipe atribuiu o problema ao Pool de Mídia das Eleições 2026, estrutura responsável pela distribuição das peças eleitorais e coordenada pelo TSE, e afirmou ter acionado o tribunal.
Nossa Senhora Aparecida
O programa exibido sem áudio foi preparado para o feriado de Nossa Senhora Aparecida. A narração afirmava: “O dia da eleição vai passar e Nossa Senhora vai continuar sendo a padroeira. Lógico. Isso não vai mudar.”
A peça também apresentava propostas da campanha e trazia participações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e da economista Daniella Marques. O conteúdo abordava temas como benefícios sociais, segurança pública e políticas para mulheres.
O horário eleitoral gratuito do segundo turno começou em 9 de outubro e segue até o dia 23. A votação está marcada para 25 de outubro. Os candidatos têm tempos iguais na propaganda em rede, enquanto a ordem de exibição segue as regras eleitorais.