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Mulher de Freixo comanda EBC, acusada por Flávio de silenciar propaganda eleitoral – Paulo Figueiredo

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Antonia Pellegrino assumiu a presidência da empresa pública em abril, por indicação do ministro Sidônio Palmeira

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estatal federal vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), é presidida por Antonia Pellegrino, mulher do presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT). A empresa foi apontada inicialmente pelo SBT News como responsável pelo problema que deixou sem áudio a propaganda eleitoral do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), exibida nesta segunda-feira (12).

A estatal, porém, negou ter participado da operação e atribuiu a responsabilidade ao pool de emissoras encarregado da transmissão do horário eleitoral.

A propaganda de Flávio foi exibida por volta das 13h, no feriado de Nossa Senhora Aparecida. Enquanto as imagens do programa do candidato do PL foram ao ar sem áudio, a propaganda seguinte, do presidente Lula (PT), foi transmitida normalmente.

Antonia Pellegrino assumiu a presidência da EBC em abril, após a saída de André Basbaum. Antes, desde 2023, comandava a Diretoria de Conteúdo e Programação da empresa. Sua nomeação foi anunciada pelo ministro da Secom, Sidônio Palmeira, que trabalhou no marketing da campanha presidencial de Lula em 2022.

Mulher de Freixo assumiu estatal em abril

Roteirista e gestora cultural, Antonia Pellegrino colaborou no documentário “Democracia em Vertigem”, dirigido por Petra Costa e indicado ao Oscar de melhor documentário em 2020. O filme aborda o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a ascensão política de Jair Bolsonaro (PL).

A presidente da EBC chegou à empresa no início do atual governo Lula, em 2023, como diretora de Conteúdo e Programação. Nesse período, participou de mudanças na grade da TV Brasil e de iniciativas de produção audiovisual. Em abril deste ano, foi escolhida por Sidônio para comandar a estatal.

A EBC administra veículos públicos como a TV Brasil, a Agência Brasil e as rádios Nacional e MEC. A empresa é vinculada à Secom, órgão responsável pela comunicação institucional do governo federal.

EBC nega responsabilidade pela transmissão

Em nota divulgada nesta segunda-feira, a estatal afirmou que a falha de áudio atingiu todas as emissoras que exibiram a propaganda do PL. Segundo a empresa, a operação de transmissão do horário eleitoral presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras, organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT).

A EBC acrescentou que a exibição do horário eleitoral naquele dia estava a cargo de outra empresa integrante do pool e afirmou aguardar um posicionamento da ABERT sobre as causas do problema.

A estatal também declarou que o SBT reconheceu publicamente ter se equivocado ao atribuir a responsabilidade à EBC.

Flávio questiona episódio

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que sua propaganda foi transmitida sem som, enquanto a de Lula teve áudio normal. O candidato levantou dúvidas sobre a possibilidade de o episódio ter sido acidental.

“Hoje, pela primeira vez na história de uma campanha presidencial, o meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo”, declarou. “O do Lula tava com som, tudo OK, mas o meu transmitido sem som.”

“Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência. Eles acham que vão calar minha voz, não vão calar, não vão conseguir”, afirmou.

A campanha do PL disse que entregou o material “em perfeitas condições” e que o arquivo havia sido “averiguado e auditado pela plataforma homologada”. A equipe atribuiu o problema ao Pool de Mídia das Eleições 2026 e informou ter acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nossa Senhora Aparecida

A peça eleitoral exibida sem áudio foi preparada para o feriado religioso. “O dia da eleição vai passar e Nossa Senhora vai continuar sendo a padroeira. Lógico. Isso não vai mudar”, dizia a narração.

O programa também apresentava propostas da campanha e participações da ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e da economista Daniella Marques.

Confira a íntegra da nota da EBC:

“NOTA À IMPRENSA: EBC NÃO TEVE PARTICIPAÇÃO EM FALHA NA EXIBIÇÃO DO PROGRAMA DO CANDIDATO FLÁVIO BOLSONARO

A falha de áudio na propaganda eleitoral do Partido Liberal, exibida às 13h desta segunda-feira, atingiu igualmente todas as emissoras que transmitem o horário eleitoral gratuito. Toda a operação de exibição da propaganda presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras.

Exibição do dia estava a cargo de outra empresa que integra o pool de emissoras.

O pool é formado pelas emissoras de rádio e televisão e organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), nos termos do art. 64 da Resolução TSE nº 23.610/2019. Pelo plano de mídia do 2º turno (Resolução TSE nº 23.778/2026), cabe ao pool receber as mídias das campanhas e gerar o sinal da propaganda distribuído a todo o país. A divisão de tarefas dentro do pool é definida pela ABERT.

Mais uma vez, a EBC refuta a informação de que foi responsável por qualquer erro. E agradece ao SBT por reconhecido publicamente que se equivocou ao acusar injustamente a EBC.

A EBC aguarda o pronunciamento da ABERT sobre as causas da ocorrência.”

Crédito Claudio Dantas



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