O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), único parlamentar a votar contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1, afirmou nesta quinta-feira (15) que esperava contar com o apoio de pelo menos outros dez colegas. A proposta foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno, e seguirá para promulgação.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Mourão disse que acreditava que outros senadores acompanhariam sua posição, embora alguns já tivessem assumido o compromisso de apoiar a mudança.
“Eu tinha a esperança de que, pelo menos uns 10, 12, estivessem comigo nessa votação. Alguns tinham o compromisso específico de votar a favor do projeto. Mas outros, não. Não precisavam”, afirmou.
O posicionamento do senador contrariou a orientação do Republicanos, que recomendou voto favorável à proposta. Mesmo isolado na votação, Mourão defendeu sua decisão e disse ter cumprido o compromisso com os eleitores do Rio Grande do Sul.
“Eu cumpri a minha tarefa como senador do Rio Grande do Sul. O nosso estado é altivo. Ele não afrouxa”, declarou.
Ausências e posições divergentes
Além de Mourão, outros senadores da oposição não participaram da votação. Sergio Moro (PL-PR) afirmou nas redes sociais que optou por não votar porque considera necessário discutir o tema com mais profundidade e diálogo. Marcio Bittar (PL-AC), também ausente, atribuiu a aprovação da proposta ao apoio do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio, também não votou.
O que muda com a PEC
A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado, preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. A implementação será gradual: 60 dias após a promulgação, o limite semanal cairá para 42 horas; a redução para 40 horas ocorrerá 12 meses depois, completando uma transição de 14 meses.
A PEC havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e ficou parada no Senado até a retomada de sua tramitação. Após a aprovação em dois turnos, o texto segue para promulgação pelas Mesas da Câmara e do Senado, sem necessidade de sanção presidencial.