O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), conhecido como Príncipe, criticou nesta terça-feira (27) a atuação de governos que, segundo ele, utilizam mecanismos de repressão contra adversários políticos. Em publicação no X, o parlamentar associou a perseguição à oposição a práticas ditatoriais, em meio à controvérsia envolvendo a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e as medidas judiciais determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Governo legitimamente eleito não persegue oposição, não faz censura e não reprime quem não o escolheu. Quem faz isso é ditador inseguro, sem sustentação que quer provar que é o dono da casa que não lhe pertence”, escreveu Luiz Philippe.
A manifestação ocorre três dias após o segundo turno da eleição presidencial, vencido por Lula (PT), e dois dias depois de Moraes determinar que Flávio entregasse seus passaportes e ficasse impedido de deixar o território nacional.
Moraes determinou restrições após a eleição
A decisão contra Flávio foi tomada após a Polícia Federal apontar risco de saída do senador do país. A medida inclui o cancelamento dos passaportes brasileiros, a proibição de deixar o território nacional e a entrega de eventual documento de viagem de outra nacionalidade.
O prazo para apresentação dos documentos terminou na manhã de terça-feira (27), sem que a determinação fosse cumprida. Na ocasião, a PF cancelou os passaportes brasileiros do senador e comunicou que apuraria as circunstâncias do descumprimento da ordem judicial.
O caso está relacionado a uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, sob suspeita de lavagem de dinheiro. Ambos confirmam a relação de amizade, mas negam sociedade e irregularidades.
Senador viajou com a família para os Estados Unidos
A saída de Flávio do Brasil foi noticiada na terça-feira, depois de relatos de que ele teria passado pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos. Nesta quarta-feira, informações divulgadas pela imprensa apontaram que o senador, a mulher e as duas filhas entraram em território argentino pela fronteira terrestre e seguiram em um voo privado com destino final a Miami.
O Departamento de Estado americano já havia informado que concederia vistos a Flávio e aos familiares e permitiria a entrada deles nos Estados Unidos.
Em nota divulgada nesta quarta-feira, a Polícia Federal afirmou que o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes não torna automaticamente o senador foragido nem autoriza sua prisão. A corporação declarou que investiga as circunstâncias do caso e que não havia registro oficial da saída do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros.
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