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ALive: O ‘confisco indireto’ de Lula – Claudio Dantas

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Durante o programa ALive desta terça-feira (03), o economista JH Fonseca afirmou que não acredita em um confisco direto da poupança pelo governo Lula (PT), mas, sim, em um confisco indireto de valores dos brasileiros. “Confisco direto, explícito, ficou muito manchado no Brasil. Realmente, eu pessoalmente acho que o risco deste confisco é baixo”, declarou.

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A fala foi feita ao comentar a possibilidade de o economista André Lara Resende assumir o Ministério da Fazenda no governo Lula 4 ou atuar como conselheiro do petista. Resende foi quem defendeu ao ex-presidente Fernando Collor o confisco de poupanças para tentar conter a inflação.

“Mas o que me dá muito medo hoje, e eu quero tentar explicar de maneira lúdica para o pessoal que está em casa, é que existe o que eu chamo de confisco indireto”, continuou Fonseca.

Em seguida, o economista explicou o “confisco indireto”: “E esse confisco indireto, veja, se você tem uma equipe econômica que faz uma intervenção no mercado de juros e reduz o juro na canetada, o que vai acontecer? Pensa que o juro lá fora está em torno de 5% em dólar. Todos os investidores, apesar do Brasil ser menos de 1% em torno de fósseis mundiais, vão ficar no Brasil para ganhar 7%, é um juro real baixo,  um juro que não condiz com o risco do país, e ficar em dólar, vou para dólar”.

“Esses caras começam a sair, a moeda perde valores, é um roteiro típico, e a inflação come e solta no supermercado. Quando isso acontece, o investidor local vai entender que aquela Selic não está mais repondo o seu poder de compra, ele vai querer sair”, continuou. “E é aí que eu entendo que existe um risco de confisco indireto”.

“E aí você tem uma espécie de confisco indireto, porque o dinheiro está aplicado aqui, ele não está confiscado, você pode pegar, o problema é que ele não rende”, afirmou Fonseca. “E a inflação come e solta”. 

De acordo com o economista, “esse é o ajuste fiscal mais perverso” que existe: “[…] Quem vai pagar contra os mais pobres, e os que não têm renda, para montar estruturas e fugir disso? Porque as pessoas que têm mais poder de compra, os mais ricos, conseguem fugir”.

“Eles [ricos] mandam dinheiro para fora, eles compram ativos reais, compram imóveis, compram ações de exportadores, eles tentam dar um jeito. Mas o mais pobre, ou aquele cidadão de classe média, que tem o seu dinheirinho em um CDI, num CDB, se aquele CDB para de render, e a inflação começa a disparar, e ele não consegue sair do Brasil para se dolarizar, ele está, de certa forma, num confisco indireto”, explicou.

“Você não pode sair daqui, aqui a gente não corrige. E nesses cenários é quando você começa a ver a inflação disparar, porque vira uma situação onde todo mundo quer ativo real”, continuou.

“Pensa naquela dona de casa que tem só um CDBzinho. Se a Selic fica baixa artificialmente, a inflação dispara, isso não deixa de ser um confisco indireto. Por quê? Porque você não está repondo o poder, você não está tendo juros de mercado. Então esse mecanismo indireto é o que me dá medo hoje, porque ele pode afetar a classe média e os mais pobres de maneira muito aguda”.

“Esse, para mim, é um dos maiores perigos, essa ideia de juros baixos e controle de capitais”, finalizou JH Fonseca.

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