O programa ALive desta quarta-feira (04) abordou a vitória do democratas nas eleições de meio de mandato dos EUA, realizadas na terça-feira (03). A legenda conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, o que obrigará o presidente Donald Trump, do Partido Republicano, a negociar com a oposição para avançar com suas propostas no Congresso.
No Senado, os democratas somam, até o momento, 54 das 100 cadeiras, contra 44 dos republicanos. Dois assentos ainda aguardam definição. O partido conquistou 20 vagas, sete delas após derrotar candidatos republicanos. Eram necessárias 51 cadeiras para garantir a maioria.
Já na Câmara dos Representantes, os democratas têm, até agora, 228 cadeiras, enquanto os republicanos somam 139. Outros 68 assentos ainda dependem da conclusão da apuração. A legenda também conquistou 25 distritos que estavam sob controle republicano em mais de dez Estados.
Na avaliação da jornalista Karina Michelin, que participou do ALive de hoje, o resultado “já era esperado”. Segundo ela, o voto nessa eleição foi de “protesto” contra Trump, motivado pelas guerras em andamento e por aquelas financiadas pelos EUA, além do aumento do “custo de vida” no país.
“O que acontece nos Estados Unidos hoje é, de fato, uma insatisfação social muito grande em relação ao custo de vida. Isso, para quem está nos Estados Unidos, é muito pesado e vem aumentando cada vez mais”, afirmou Karina. “Tem o problema do petróleo, né, que aumentou demais o preço do combustível e da gasolina. Isso é um efeito em cadeia que, depois, vai bater lá no consumidor final. Nós temos um custo de vida também em relação a supermercados”.
“A vida normal do cidadão americano hoje custa muito caro. Até mesmo quem vai a turismo nos Estados Unidos consegue sentir esse peso nas costas”, continuou.
Ela também apontou as guerras como um “ponto fundamental” para o resultado eleitoral. “Os americanos não gostariam de estar mais nessas guerras e financiando esse tipo de guerra, enquanto a questão doméstica realmente é muito debilitada, é muito vulnerável nesse momento”.
Ainda de acordo com Michelin, Trump começou o mandato afirmando que não se envolveria em guerras, mas acabou iniciando uma guerra contra o Irã ao lado de Israel. A jornalista também criticou as “tratativas muito questionáveis” do presidente com os aiatolás do regime iraniano. “Então, quando isso acontece, o Trump começa a fazer esse tipo de tratativa e começa a voltar atrás de tudo que ele estava falando”.
“Temos também a tratativa com Rússia e Ucrânia, e também ali, Trump começa a se aliar, praticamente, com Putin. E ali, gerou também muitos questionamentos em relação à relação que o Donald Trump estava tendo com Putin, até mesmo em relações econômicas, enfim, com acordos econômicos que envolviam, também, a família de Trump”, continuou.
Outro ponto destacado por Michelin, que pode ter contribuído para a derrota de Trump, foi a mobilização dos eleitores democratas. “Mais de 75% dos democratas disseram, nós temos que ir votar. Enquanto os republicanos, chegou somente a 60% e diziam que não iam votar. Então, aqui nós temos, agora, estados importantíssimos que foram governados por republicanos durante décadas, que deixaram de ser republicanos”.
Sua opinião sobre esta matéria importa.