Oito dirigentes e executivos ligados ao Ueno Bank foram presos preventivamente na noite de terça-feira (03), em meio à crise que levou o Banco Central do Paraguai a intervir na instituição financeira. Entre os detidos estão integrantes da diretoria do banco digital e representantes de empresas do Grupo Vázquez, controlador da instituição. O Ueno era o maior emissor de cartões de crédito do país.
Os suspeitos são investigados por possíveis irregularidades relacionadas à crise, mas ainda não está claro como o banco chegou à situação de insolvência nem qual teria sido a participação de cada um dos executivos. Segundo Nancy Salomón, representante do Ministerio Público paraguaio, eles poderão responder por crimes como conduta indevida em situações de crise, lesão de confiança e violação da obrigação de manter livros contábeis e comerciais.
“Estamos analisando os fatos com base nessas figuras jurídicas. Ainda temos diligências reservadas para realizar outros procedimentos”, afirmou a promotora ao jornal ABC Color. Ela acrescentou que recebeu um documento de 200 páginas do Banco Central do Paraguai sobre o caso.
O Ueno atendia 40% da população paraguaia, mas fechou as portas e bloqueou o acesso dos clientes a contas e investimentos após ser considerado insolvente. Centenas de pessoas foram às ruas exigir a devolução imediata do dinheiro. Uma instituição financeira é considerada insolvente quando não consegue honrar seus compromissos.
Para conter os efeitos da crise, o Banco Central interveio no banco e trabalha em um plano para devolver os recursos retidos aos correntistas. A crise também provocou mudanças no comando da autoridade monetária: o presidente do BC, Carlos Carvallo, e dois diretores renunciaram aos cargos.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, nomeou o economista Raúl Vera Bogado para substituir Carvallo. Antes de assumir o Banco Central, Carvallo presidiu o Ueno. Peña também indicou Pedro Acosta e Edsel González para completar a diretoria de cinco membros da autoridade monetária. As três indicações precisam ser ratificadas pelo Senado.
Peña também teve participação societária na holding ligada ao Ueno Bank até março de 2025, quando vendeu sua participação.
Os oito detidos:
Juan Manuel Gustale Cardon ocupava a presidência do Ueno Bank. Também exerceu diferentes funções no Banco Central do Paraguai, entre elas as de diretor jurídico da Superintendência de Bancos, chefe de gabinete do conselho de administração e superintendente de Risco de Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo (LD/FT).
Federico Miguel Vázquez Villasanti era primeiro vice-presidente do Ueno Bank. É um dos principais nomes do grupo empresarial controlador da instituição: fundou o Ueno e preside o Grupo Vázquez, principal acionista do banco.
Diana Leticia Mongelós González era segunda vice-presidente do Ueno Bank. Antes, atuou como diretora titular do Visión Banco S.A.E.C.A. e participou do processo de fusão entre as duas instituições. Após a operação, integrou o conselho de administração do Ueno.
Julio Daniel Rey Fernández ocupou o cargo de segundo vice-presidente do Ueno Bank. Sua prisão está relacionada à antiga ligação com a administração da instituição. Não foram encontradas outras informações curriculares que permitam ampliar seu perfil profissional, e não há informações sobre sua relação atual com o banco.
Diego Fernando Duarte Schussmuller era diretor titular do conselho de administração do Ueno Bank e primeiro vice-presidente da Ueno Seguros. Também integrou o conselho de administração do Banco Central do Paraguai (BCP).
Alejandro Gómez Abente fazia parte do conselho de administração do Ueno Bank como diretor titular. Sua trajetória profissional inclui passagens pelo Morgan Stanley, em Londres; pelo HSBC, em São Paulo; e pela Standard & Poor’s, em Buenos Aires. Também ocupou cargos de CEO, presidente e diretor em instituições financeiras nacionais e internacionais.
Mariana Isabel Torres Rubiani foi diretora titular do Ueno Bank após a fusão por incorporação com o Visión Banco. A escritura pública da operação registra sua participação em representação do Visión Banco S.A.E.C.A., na condição de diretora titular. Não há informações sobre sua relação atual com o Ueno.
Miguel Ángel Almada Frutos era síndico titular do Ueno Bank e da Ueno Seguros. Em seu perfil profissional no LinkedIn, também informou que atuava como diretor jurídico do Grupo Vázquez.
Lei prevê pagamento em cinco dias e impeachment à vista
Peña sancionou na quarta (04) uma lei aprovada rapidamente pelo Congresso para liberar parte dos recursos do fundo garantidor aos clientes afetados. Segundo o presidente, a medida “permitirá aos poupadores receber, no menor prazo possível, uma parte dos recursos do fundo garantidor, para que o dinheiro volte às mãos de seus legítimos proprietários”. A norma estabelece que os pagamentos sejam realizados nos próximos 5 dias.
O caso também mobilizou o Congresso contra o presidente paraguaio e o vice-presidente Pedro Alliana. O presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, convocou duas sessões extraordinárias para esta quinta-feira (05) para analisar a abertura de processos de impeachment contra os dois.
Trinta e cinco deputados apresentaram o documento de acusação contra Peña. Os parlamentares o responsabilizam pela crise bancária em razão de sua participação societária na estrutura empresarial ligada ao Ueno Bank, por meio da Ueno Holding, até março de 2025.
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