Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Desse total, R$ 6,4 bilhões referem-se, de acordo com a estatal, a despesas com precatórios. É o 14º trimestre consecutivo no vermelho desde o 4º trimestre de 2022.
A estatal registrou receita bruta de R$ 17,3 bilhões no ano, queda de 11% em relação a 2024. Os dados foram apresentados nesta tarde (23) pelo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, durante balanço dos 100 dias do plano de reestruturação.
Segundo a estatal, o resultado negativo foi impactado pelo aumento de custos operacionais e pelo provisionamento de obrigações judiciais. O patrimônio líquido fechou o período em R$ 13,1 bilhões negativos.
No entanto, em documentos internos, os Correios detalharam que a queda de receitas foi puxada pela redução de encomendas internacionais, que recuaram 66% na comparação anual.
“O maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor que alteraram os fluxos do comércio global”, diz o comunicado obtido pelo site g1.
Em novembro do ano passado, a estatal aprovou um plano de reestruturação após identificar patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025, além de deterioração em indicadores de liquidez e qualidade operacional.
O plano vem sendo executado em etapas. A 1ª fase foca na reorganização do fluxo financeiro, regularização de dívidas com fornecedores e terceirizados e recuperação da previsibilidade de caixa.
Como parte dessa etapa, os Correios captaram R$ 12 bilhões junto a um pool de bancos, garantindo liquidez imediata para pagamentos em atraso e normalização das operações. No entanto, a estatal quer a estatal pegar mais R$ 8 bilhões em operações de crédito.
A empresa também prevê em seu plano de reestruturação leilões de imóveis ociosos, com expectativa de arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão, além de reduzir custos de manutenção.
Outra medida é o Programa de Demissão Voluntária (PDV), reaberto em janeiro de 2026. A adesão foi de 3.075 empregados, abaixo da meta inicial de 10 mil. Com isso, a empresa projeta economia de cerca de R$ 1,4 bilhão a partir de 2027.
O plano inclui ainda renegociação de passivos judiciais, reequilíbrio do plano de saúde e fechamento de 16% das agências. As medidas devem gerar redução de despesas estimada em R$ 5 bilhões até 2028.