O presidente do IBGE de Lula, Márcio Pochmann, integra o Conselho de Administração da Biomm, farmacêutica que tinha como sócio principal, com mais de 25% das ações, o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Pochmann assumiu o cargo — com remuneração e poder de voto — em abril de 2024 e lá permanece até hoje, mesmo com a saída do Master, que trocou suas ações com o BRB.
No mês passado, o fundo Cartago, gerido pela Trustee, liquidou sua posição na Biomm. As 35,39 milhões de ações da companhia foram transferidas então para o Banco de Brasília, que ficou como único cotista do fundo. A presença no conselho de um presidente de autarquia federal, com acesso a dados epidemiológicos e perfil demográfico, configura notório conflito de interesses.
A Lei 12.813/2013 tipifica como conflito de interesses aceitar cargo de conselheiro em empresa cuja atividade esteja relacionada à área de competência do cargo público. Sua violação sujeita o agente público às sanções da Lei de Improbidade Administrativa. Em sua gestão, Pochmann tentou criar o IBGE+ para captar recursos privados para supostamente financiar pesquisas, mas a medida foi bloqueada pelo TCU.
BIG FARMA
A farmacêutica Biomm, fundada por Walfrido Mares Guia — ex-ministro de Lula –, já recebeu mais de R$ 330 milhões de aportes do BNDES e da Finep. Além disso, fechou contratos com o Ministério da Saúde do petista que somam mais de R$ 300 milhões, através da chamada Parceria para o Desenvolvimento Produtivo. Em abril de 2024, Lula prestigiou a inauguração da planta de Biomm em Nova Lima (MG), ao lado então ministra da Saúde, Nísia Trindade, e de seu sucessor, Alexandre Padilha.
A entrada do Master na Biomm, segundo documentos arquivados pela empresa na CVM, se deu pelo Fundo Cartago, inicialmente sob gestão da WTN e depois da Trustee, ambas citadas nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto.