O presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cumpriram ontem (17) agenda conjunta no Oiapoque, no extremo norte do Amapá. Os dois trocaram afagos durante a visita a um navio-sonda da Petrobras, na 1ª aparição pública conjunta desde a reaproximação política.
Lula e Alcolumbre haviam se afastado depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Antes da agenda no Amapá, porém, os dois já haviam realizado reuniões privadas e participado de um jantar na casa de Alexandre de Moraes.
A visita ao navio-sonda ocorreu antes de a Petrobras confirmar a descoberta de petróleo na região. Horas depois do evento, a estatal anunciou a presença de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A confirmação foi feita pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Durante o evento, Alcolumbre afirmou que, como amapaense, sonhou por “longos anos” com a chegada do navio-sonda ao Estado. O presidente do Senado atribuiu a Lula a defesa do projeto ao longo dos últimos três anos e meio:
“E dizer ao senhor presidente Lula, na minha condição de amapaense, de presidente do Congresso Nacional, muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse no dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras, que tem que ser o orgulho de todos os brasileiros”.
Em outro momento do discurso, Alcolumbre afirmou: “Reconhecimento é fazer Justiça, presidente”. O senador também disse que Lula e o Congresso devem mostrar que os brasileiros têm poder de decisão sobre os rumos do país.
Lula retribuiu os elogios em seguida, ao discursar, e citou a atuação recente de Alcolumbre no Congresso. O presidente afirmou que o senador encaminhou para as comissões três projetos que considera importantes para o governo, entre eles a PEC do fim da escala 6×1.
“Nesta semana, ele teve uma atitude muito importante para o Brasil. Essa semana, tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil”, afirmou o petista.
Além de elogiar o presidente do Senado, Lula retomou o discurso usado após a descoberta do pré-sal, em 2006, e classificou a confirmação de petróleo na bacia como um “passaporte para o futuro”. Durante a fala, o presidente mencionou a controvérsia sobre a exploração na região e afirmou que o Brasil manterá o compromisso com a preservação do meio ambiente.
“Pode chamar isso (frasco de petróleo) de passaporte para o futuro desse país. E quando falo passaporte ao futuro, não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil. Porque o país vai continuar sendo o rei da inovação nos biocombustíveis e continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável”, disse o petista.
Durante as discussões sobre a exploração do pré-sal e a definição do marco regulatório para as reservas, Lula usou repetidamente as expressões “passaporte para o futuro” e “bilhete premiado”. Na época, o petista estava em seu 2º mandato.
Ainda no discurso no Amapá, o petista também provocou o presidente dos EUA, Donald Trump, ao afirmar que a descoberta de petróleo na Margem Equatorial pode ajudar no fornecimento mundial de combustíveis fósseis caso o norte-americano “quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz”.
“Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, nós vamos aqui, para o mundo inteiro, a Margem Equatorial, a 175 quilômetros da terra. Estamos aqui no meio do mar, descobrindo petróleo maravilhosamente puro, que talvez já dá até para encher o tanque do carro e sair andando com ele, de tão puro”, disse Lula.