O ALive desta quarta-feira (19) abordou a defesa, pelos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que a Corte volte a discutir a necessidade de diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Durante o programa, o apresentador Claudio Dantas disse que a “ditadura sempre quer tutelar o jornalismo”.
“O discurso contém o poder da caneta, que é, na verdade, um porrete disfarçado”, disse Dantas. Para ele, a proposta dos ministros é uma “mordaça disfarçada”: “O que essa gente quer é calar você, calar a mim, calar a todas as redes, todos vocês nas redes sociais”.
“É calar todo mundo, impedir que haja algum tipo de crítica. Essa historinha de diploma, de que jornalista precisa estar ali, diplomado, como se faculdade formasse jornalistas”, continuou o apresentador.
A defesa dos magistrados ocorre em meio à perseguição deles ao jornalista maranhense Luís Pablo, que publicou uma série de denúncias contra Dino por uso ilegal de carro oficial e teve, na semana passada, uma de suas fontes como alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal, a mando de Moraes.
Dantas disse que, com seus 30 anos de trabalho no jornalismo, pode dizer que entende um “pouquinho”: “A ponto de dizer que diploma é dispensável”: “Isso é mais uma forma de se calar, de se tutelar, de se controlar as críticas. Hoje, todos nós somos jornalistas”.
“Hoje, você que está nos acompanhando e tem o celular na mão, você também é um jornalista. Afinal, o que é o jornalista? O jornalista sempre foi o elo entre a população, entre a sociedade e as suas demandas, as suas dores”, prosseguiu.
O jornalista, em sua visão, “sempre foi o porta-voz” da população e “sempre foi aquele que estava ali para fiscalizar o poder, para dizer: ‘Olha, você está errando, você está exagerando, você está roubando, você está fraudando. Para quê? Para que a sociedade possa exercer algum tipo de controle civil sobre o Estado, sobre aqueles que ocupam suas posições no Estado, a partir da delegação desse poder por parte da sociedade”, continuou Dantas. “É assim que funciona numa democracia representativa, no Estado Democrático de Direito”.
Dantas também criticou jornalistas que ficam “batendo palminha” e “agradando” autoridades, além de se fazerem de “porta-voz” desses membros da República: “Quem faz esse papel ridículo, constrangedor, patético, vergonhoso, perverso, de porta-voz de autoridade é o jornalista que acha que tem poder quando ele desfruta da intimidade de uma autoridade”.
O apresentador do ALive relembrou que “o diploma de jornalista foi uma invenção do regime militar no seu período de ditadura, o seu período mais extremo, em [19]69, depois do AI-5”: “O objetivo era limitar o acesso das pessoas à prática do jornalismo, à imprensa. Por quê? Porque, lógico, você limita, você aumenta o controle e você evita aquilo que pessoas que não têm o espírito público, que não têm condição alguma de exercer função pública, não gostam, que é de ser criticados”.
“A democracia só existe a partir do embate de ideias, a partir do exercício da fiscalização do poder, do Estado, de todas as autoridades. Só existe a partir da transparência, da publicidade dos atos públicos”, defendeu Dantas. “E isso não acontece em inquéritos sigilosos, em agendas fechadas, secretas, em convescotes organizados entre presidentes de poderes”, finalizou o jornalista.
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