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Roberta Luchsinger ostenta luxo, mas acumula dívidas na Justiça

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A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, responde a uma série de ações judiciais por dívidas em São Paulo e Minas Gerais. As cobranças envolvem serviços prestados, aluguel, mensalidades escolares, publicidade e uma operação relacionada à produção de um filme.

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Levantamento apresentado pelo Fantástico, da TV Globo, mostra que, em diferentes processos, oficiais de Justiça não conseguiram localizar Roberta nos endereços informados. Também houve casos em que não foram encontrados bens ou valores em contas bancárias para penhora.

A empresária também está no centro de investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Os investigadores analisam as relações dela com Lulinha, com o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Fazenda de R$ 8 milhões acabou nas mãos de credor

Um dos processos envolve um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani.

Em 2016, Roberta e uma sócia apresentaram o projeto a um investidor. O orçamento estimado era de US$ 4 milhões, com previsão de financiamento por um fundo do Bahrein.

Para iniciar a produção antes da liberação dos recursos, foi contratado um empréstimo de US$ 300 mil. Roberta convenceu o empresário Lauro Vallejo a ser avalista da operação e ofereceu uma fazenda em Minas Gerais como garantia.

O financiamento não foi quitado. O credor recorreu à Justiça e conseguiu a posse da propriedade, avaliada em cerca de R$ 8 milhões.

“O projeto do filme era bonito, uma história que valia a pena vender para investidor, para pessoas que tivessem interesse para o investimento e para o retorno desse investimento.”

Vallejo também afirmou que recebeu a promessa de participação na bilheteria e de uma comissão.

“Acabei aceitando. Me prometeram uma participação na bilheteria do filme. Iam me pagar uma comissão…acho que na época eram R$ 40 mil.”

Sobre a perda da propriedade, declarou:

“Tudo o que eu tinha estava lá [na fazenda, tomada pelo credor]. Não é a questão da propriedade em si, é o sonho. Não é fácil, cara.”

Roberta afirmou ao Fantástico que também foi enganada pelo investidor e que o proprietário da fazenda conhecia os riscos da operação.

Dívidas incluem tapeceiro, escola e loja

Entre os credores está o tapeceiro Nilton Cézar Pires. Em 2011, ele foi contratado para reformar móveis da residência da empresária por R$ 61 mil. Segundo o profissional, R$ 25 mil foram pagos e o restante permaneceu pendente.

O caso foi levado à Justiça e a dívida foi reconhecida. Acordos firmados durante a execução também não teriam sido cumpridos. O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça.

“A casa inteira, de sofá a cama, tudo. Entregamos tudo certinho, mas o pagamento não veio. A gente teve de acioná-la na Justiça, porque já não tinha mais o que fazer, né?”

Outras ações citadas pelo Fantástico envolvem R$ 91 mil em mensalidades escolares, uma dívida com uma loja de roupas que ultrapassou R$ 21 mil após atualização judicial e uma contratação de publicidade para uma pré-campanha eleitoral.

Nesse último caso, o serviço custou R$ 42 mil e apenas R$ 4.200 teriam sido pagos.

Dívida de aluguel chegou a R$ 500 mil

Roberta também foi alvo de uma ação de despejo relacionada a um apartamento de alto padrão em São Paulo.

O imóvel foi alugado em 2019. No ano seguinte, os proprietários entraram na Justiça por falta de pagamento de aluguel, condomínio e IPTU.

A desocupação ocorreu em 2023. A dívida acumulada chegou a aproximadamente R$ 500 mil e foi quitada em maio de 2024.

Versão sobre a origem da família é contestada

A trajetória de Roberta também voltou a ser questionada após o Fantástico apresentar um registro civil sobre seu avô, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger.

Em 2017, Roberta passou a se apresentar publicamente como herdeira de um banqueiro suíço ligado à fundação do Credit Suisse. O registro apresentado pelo programa, porém, aponta que o avô nasceu no Rio de Janeiro, em 1927, e era comerciante e proprietário de uma lavanderia.

Roberta manteve a versão de que ele nasceu na Suíça, mas afirmou não ter documentos para comprovar a informação.

Relação com Lulinha

A proximidade de Roberta com Lulinha também aparece nas investigações da PF. Em entrevista ao g1, ela confirmou a amizade e disse que os dois chegaram a discutir a possibilidade de fazer negócios fora do setor público.

Foto: Reprodução

“Eu e Fábio somos amigos. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista.”

A PF investiga se a relação foi utilizada para facilitar contatos com integrantes do governo e viabilizar negócios privados.

R$ 249 mil transferidos a Marcola

Outro ponto sob investigação envolve R$ 249 mil transferidos por Roberta a Marcola, que ocupava o cargo de chefe de gabinete de Lula. O ex-assessor confirmou o recebimento e afirmou que o dinheiro correspondia à quitação de um empréstimo pessoal.

Roberta também negou que o dinheiro tenha relação com sua atuação como lobista.

“Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra”

A PF, porém, investiga a relação entre os dois. Mensagens apreendidas no celular da empresária também registram pedidos e benefícios destinados a Marcola, incluindo a compra de joias e a negociação de um quadro.

Investigação alcança negócios com o governo

As apurações também identificaram mensagens sobre tentativas de negócios em órgãos federais.

A PF investiga, por exemplo, se Roberta atuou para intermediar negócios nos Correios. Uma minuta encontrada em seu celular previa comissão de 50% para a empresa da empresária sobre determinadas vendas. A investigação também analisa uma mensagem em que ela cita a estatal.

Roberta Luchsinger ostenta luxo, mas acumula dívidas na Justiça

Outro núcleo envolve o Ministério da Saúde. Roberta teria buscado apoio de integrantes do governo para tentar viabilizar negócios relacionados a medicamentos à base de canabidiol e kits de testes de dengue.

O conjunto das apurações está sob análise da PF e não representa, até o momento, condenação da empresária pelos fatos investigados.

Defesa

Procurada pelo Fantástico, Roberta não concedeu entrevista gravada. Ela enviou uma relação dos processos citados e informou quais ações já foram arquivadas.

Sobre o caso da fazenda, afirmou que também foi enganada pelo investidor e que o proprietário conhecia os riscos da operação.

No caso de Marcola, sustenta que os R$ 249 mil correspondem a um empréstimo e nega que tenha feito pagamentos para obter favorecimento no governo. A versão de Marcola também é a de que a operação teve natureza exclusivamente privada.





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