O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) subiu 2,3 pontos em agosto, para 111,7 pontos, informou nesta segunda-feira (31) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior alta desde março, quando o índice avançou 9,2 pontos, e levou o indicador ao maior nível desde abril, quando estava em 117,2 pontos.
O cenário político contribuiu para a alta do índice em agosto. Entre as principais preocupações do mercado está a condução das contas públicas pelo próximo presidente. O tema ganhou espaço no noticiário e elevou o componente de Mídia do IIE-Br em 2,8 pontos, para 111,6 pontos.
Já o componente de Expectativas, que mede a dispersão das previsões de especialistas para indicadores macroeconômicos, recuou 0,8 ponto em agosto, para 106,9 pontos.
Pressões externas e inflação
O cenário internacional também contribuiu para manter a incerteza em nível elevado. Segundo Gouveia, notícias relacionadas ao governo dos Estados Unidos, ao conflito com o Irã e a outros conflitos globais aumentaram as dúvidas sobre os efeitos desses eventos nas economias.
No Brasil, a alta dos combustíveis e a volatilidade do petróleo acrescentam incertezas sobre a trajetória da inflação.
O mercado de trabalho também segue aquecido. Para a economista, esse cenário pode influenciar as decisões do Banco Central sobre os juros. A Selic está em 14% ao ano e pode permanecer nesse patamar ou ter uma redução mais lenta que a inicialmente projetada.
A avaliação da FGV é que os fatores que contribuíram para o aumento do índice em agosto devem permanecer nos próximos meses. Com isso, a expectativa é de continuidade da volatilidade até o fim do ano.