O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pediu esclarecimentos ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a decisão que suspendeu repasses públicos a empresas responsáveis pelo serviço de Wi-Fi gratuito em regiões periféricas da capital paulista.
“Eu sei que qualquer crítica ao STF hoje pode gerar consequências aos agentes políticos, mas não existe outra justificativa que não seja política”, afirmou Nunes.
Segundo Nunes, a medida pode interromper o serviço e afetar cerca de 1,4 milhão de pessoas. As empresas são administradas por Karina Gama, que também atua como produtora do filme Dark Horse. O prefeito afirmou ainda que a origem das denúncias é questionada pela administração municipal.
Nunes questionou a competência do Supremo para atuar no caso e disse achar “muito estranho” que questões relacionadas à administração municipal sejam levadas à Corte durante o período eleitoral.
Decisão de Dino
No início de setembro, Dino determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da Academia Nacional de Cultura (ANC), administrados por Karina Gama. A decisão também bloqueou pagamentos de contratos públicos vinculados à empresária, diante de suspeitas de desvio de recursos.
O Instituto Conhecer Brasil é contratado pela Secretaria de Inovação e Tecnologia de São Paulo para fornecer o serviço de internet gratuita.
De acordo com Nunes, o custo do programa caiu nos últimos anos em comparação com gestões anteriores. Caso o contrato seja interrompido, porém, a prefeitura não teria, de imediato, outra alternativa para manter o serviço.
A defesa de Karina já questionou Dino sobre o alcance da decisão. O objetivo é esclarecer se a suspensão também atinge especificamente o contrato mantido com a Prefeitura de São Paulo ou apenas eventuais contratos futuros.
A empresa responsável pelo serviço realiza pagamentos mensais de cerca de R$ 900 mil a 250 colaboradores. Com a suspensão dos repasses, a defesa afirma que não haveria recursos para manter esses pagamentos a partir de outubro.