O apoio de partidos de centro e centro-direita à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ampliou o potencial de uma eventual base do senador no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. Juntos, PL, União-PP, Republicanos, Novo e Podemos terão 286 dos 513 deputados federais e 50 dos 81 senadores eleitos para a próxima legislatura.
O grupo representa 55,8% da Câmara e 61,7% do Senado. A composição ultrapassa a maioria absoluta nas duas Casas, mas não garante, sozinha, a aprovação de mudanças na Constituição. Propostas de emenda constitucional (PECs) precisam de 308 votos entre os deputados e 49 entre os senadores, em dois turnos de votação.
Na Câmara, portanto, o bloco projetado em torno de Flávio teria 22 votos a menos que o quórum necessário para aprovar uma PEC. No Senado, por outro lado, os 50 integrantes seriam suficientes para superar em um voto o mínimo constitucional.
A nova correlação de forças foi mencionada pelo próprio candidato após receber, em Goiânia, o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Flávio afirmou que pretende utilizar a composição do Legislativo para promover alterações na Constituição.
“O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado e presidente da Câmara, para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país”, disse o senador.
Entre as mudanças citadas por Flávio estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, alterações na Reforma Tributária e o fim da reeleição. O candidato também mencionou a possibilidade de ampliar de quatro para cinco anos o mandato presidencial.
Bancada do PL
O PL será a maior bancada individual do novo Congresso. A legenda elegeu 121 deputados e 28 senadores, resultado que dá ao partido posição de destaque nas negociações para a formação da maioria nas duas Casas.
A federação União-PP terá 87 deputados e 12 senadores. O Republicanos ficará com 41 deputados e cinco senadores. Novo e Podemos completarão o grupo com 10 e 27 deputados, respectivamente, além de três e dois senadores.
Com essa composição, a base potencial de Flávio chega a 286 deputados e 50 senadores.
Apoios no segundo turno
A federação formada por União Brasil e Progressistas anunciou apoio a Flávio no segundo turno. O Novo também formalizou nesta quarta-feira (7) a adesão à candidatura do senador.
O Republicanos e o Podemos estão entre as siglas que também negociam apoio ao candidato. Romeu Zema (Novo), derrotado no primeiro turno da disputa presidencial, já havia declarado apoio a Flávio. Caiado fez o mesmo na terça-feira (6).
O PSD e o MDB, por enquanto, mantêm posição de neutralidade institucional no segundo turno. As duas legendas terão, respectivamente, 43 e 36 deputados na próxima legislatura. No Senado, o PSD ficará com cinco cadeiras e o MDB, com oito. Apesar da orientação partidária, integrantes das duas siglas já manifestaram apoio individual a Flávio.