A vulnerabilidade financeira das famílias aumentou em 22 das 27 unidades da federação no segundo trimestre deste ano, na comparação com o primeiro trimestre, de acordo com levantamento da FGV Ibre. Isso corresponde a cerca de 81% das unidades da federação.
O Índice de Vulnerabilidade Financeira (IVF), que mede endividamento, liquidez, exposição ao risco e capacidade de pagamento, registrou alta média de 1,01% no País.
O cenário ocorre em meio a um elevado nível de comprometimento da renda: 80% das famílias brasileiras relatam ter algum tipo de dívida, enquanto 30% estão com contas em atraso. A piora foi moderada e não se concentrou em uma região ou grupo específico.
Apesar da deterioração generalizada, não houve mudanças nas posições extremas do ranking. Maranhão, Tocantins e Rondônia permaneceram como as unidades da federação com maior vulnerabilidade financeira, enquanto o Distrito Federal continuou na posição de menor risco.
A maior vulnerabilidade das famílias maranhenses está associada, principalmente, à fragilidade do mercado de trabalho. O menor rendimento médio real, combinado a taxas mais elevadas de informalidade e desocupação, reduz a capacidade de pagamento das famílias no longo prazo.
A baixa capacidade de poupança também agrava o cenário, pois limita os recursos disponíveis para enfrentar imprevistos e aumenta o risco de inadimplência. Além disso, as famílias apresentam maior endividamento e dependência de modalidades de crédito mais caras e emergenciais, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem consignação.
Alagoas e Bahia tiveram os maiores avanços em direção às posições de maior vulnerabilidade, com deslocamento de três posições cada. Alagoas passou do 10º para o 7º lugar, enquanto a Bahia avançou da 9ª para a 6ª posição. O Espírito Santo subiu duas posições, da 26ª para a 24ª, e o Pará passou do 7º para o 5º lugar.
Na direção contrária, cinco estados registraram redução do índice de vulnerabilidade financeira entre o primeiro e o segundo trimestres. Mato Grosso apresentou a maior queda, de 2,53%, seguido por Santa Catarina (-1,70%), Rio Grande do Sul (-1,09%), Paraíba (-1,04%) e Amazonas (-0,21%).
Mato Grosso também teve a maior mudança de posição no ranking entre os estados que reduziram a vulnerabilidade, passando do 4º para o 10º lugar.
Em São Paulo, a vulnerabilidade financeira aumentou 0,60% no período, alta inferior à média nacional, de 1,01%. Apesar da piora do próprio índice, o estado avançou uma posição em direção à faixa de menor risco, passando do 24º para o 25º lugar. A mudança ocorreu porque outras unidades da federação próximas no ranking registraram deterioração mais intensa no mesmo período. Assim, a posição relativa paulista melhorou, embora o indicador estadual tenha apresentado alta.