A defesa da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que a perícia comprovará a legalidade do financiamento da obra e previu que o longa poderá disputar o Oscar. Em nota assinada pelo advogado Ricardo Sayeg, a empresa também sustentou que o fim das eleições permitirá afastar a politização do caso.
“Depois que passadas as eleições, pondo um fim à politização desse caso, a Defesa tem convicção que duas coisas ocorrerão”, escreveu Sayeg. Entre elas, citou o que classificou como “sucesso estrondoso” do filme e a expectativa de que a análise pericial confirme a regularidade das captações financeiras.
A manifestação ocorre em meio à investigação sobre os recursos destinados à produção e à atuação do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que admitiu ter procurado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para obter dinheiro para o projeto. A Polícia Federal pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para concluir as diligências.
Origem dos recursos segue sob investigação
As conversas entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento vieram a público em maio. Segundo reportagens sobre o caso, o valor negociado para a produção chegaria a R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 62 milhões teriam sido repassados.
O liquidante do Banco Master, Eduardo Bianchini, informou à Câmara dos Deputados que não foram encontrados, nos acervos consultados, documentos contábeis ou contratos que comprovassem operações de financiamento ou patrocínio do filme pelas instituições em liquidação, diretamente ou por intermédio de terceiros. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira.
Flávio afirma que buscou financiamento privado para o filme sobre o pai e nega irregularidades. A Go Up, por sua vez, já havia negado anteriormente ter recebido dinheiro diretamente de Vorcaro e sustentado que a produção foi financiada por investidores estrangeiros.
Uma perícia privada contratada pela defesa da produtora estimou em cerca de R$ 75 milhões o custo total do longa e afirmou não ter identificado uso de recursos públicos ou incentivos fiscais nos documentos examinados. O laudo, contudo, foi elaborado a partir do material disponibilizado para análise e não esclareceu todos os detalhes sobre o caminho dos recursos.
A investigação também apura possíveis irregularidades relacionadas à movimentação de dinheiro para o exterior. A PF informou que ainda precisa realizar análises financeiras e telemáticas, além de diligências de cooperação internacional.
Globo demite diretor após mensagens com Vorcaro
O caso também repercutiu no Grupo Globo após a divulgação de conversas entre Vorcaro e Frederic Kachar, então diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio da empresa. Kachar foi demitido nesta semana, após mensagens sobre patrocínios e pedidos do banqueiro relacionados a publicações do grupo.
Em comunicado, a Globo afirmou que o conteúdo revelou uma relação inadequada entre o executivo e um anunciante. A empresa também reafirmou seu compromisso com a ética, a transparência e a “absoluta independência editorial” de seus veículos, citando a cobertura crítica e independente do caso Master como demonstração desse compromisso.
CONFIRA A NOTA NA ÍNTEGRA:
“Em razão do filme Dark Horse voltar aos noticiários, a Defesa da GO UP vem esclarecer.
Depois que passadas as eleições, pondo um fim a politização desse caso, a Defesa tem convicção que duas coisas ocorrerão.
A primeira é o sucesso estrondoso do filme Dark Horse que reúne todas as condições de disputar o Oscar contando a fantástica história do presidente Jair Bolsonaro.
A segunda é que a perícia irá revelar a lisura e legalidade de todas as captações do financiamento desta obra extraordinária em apoio a esta iniciativa histórica de minha cliente GO UP.
Att.
Ricardo Sayeg
OAB/SP 108.332e”