O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta sexta-feira (16), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado por seus adversários políticos no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Em entrevista à TV Globo, conduzida por Renata Lo Prete, o parlamentar classificou o julgamento como uma “farsa”, questionou a imparcialidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que a condenação deveria ser anulada.
“Primeiro, é importante a gente só contextualizar que o presidente Bolsonaro foi condenado numa farsa. Foi condenado pelos seus inimigos”, declarou.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ao comentar a decisão, Flávio criticou os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que participaram do julgamento, e alegou que havia conflitos políticos capazes de comprometer a imparcialidade do processo.
O candidato questionou a acusação de organização criminosa armada e afirmou que não foi encontrada uma arma que comprovasse o crime. Também contestou a responsabilização do pai pelos atos de depredação de patrimônio público durante os ataques de 8 de janeiro de 2023.
“Ele foi acusado de depredar patrimônio público por Wi-Fi, à distância”, afirmou.
Flávio disse ainda que considera demorada a revisão da condenação e alegou haver vícios no processo. As declarações representam a avaliação do candidato sobre o julgamento e não alteram o resultado da decisão judicial.
Bolsonaro não terá cargo no governo, diz candidato
Questionado se nomearia o pai para um cargo em eventual governo, Flávio afirmou que Jair Bolsonaro nunca tratou do assunto com ele. O senador disse que pretende consultar o ex-presidente quando necessário, mas declarou que seu compromisso, caso eleito, será com a população brasileira.
“O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo”, afirmou.
O candidato acrescentou que considera um privilégio poder consultar o pai, que já ocupou a Presidência da República, mas reforçou que não há uma nomeação em discussão.
Eduardo Bolsonaro não será chanceler
Flávio também descartou nomear o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para o Ministério das Relações Exteriores. A declaração ocorreu após Renata Lo Prete mencionar elogios anteriores do senador à atuação do irmão na área internacional e uma entrevista em que Eduardo afirmou que a decisão caberia ao pai.
“Não, ele não vai ser meu chanceler”, respondeu.
Flávio classificou Eduardo como perseguido político e elogiou o trabalho do irmão no exterior junto a lideranças conservadoras. O senador também criticou Alexandre de Moraes pela atuação judicial contra Eduardo e relacionou o caso às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao ministro.
Apesar dos elogios, Flávio distinguiu a atuação internacional do irmão da possibilidade de assumir o comando da diplomacia brasileira.
Forças Armadas e combate ao narcotráfico
Durante a entrevista, Flávio afirmou que pretende ampliar a participação das Forças Armadas no controle das fronteiras e no combate ao narcotráfico. O candidato anunciou que, caso eleito, pretende reunir os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica com chefes das polícias estaduais para definir uma estratégia nacional de segurança.
“Vamos declarar guerra ao narcotráfico aqui no Brasil a partir de janeiro do ano que vem”, declarou.
Ele também defendeu classificar organizações criminosas, como o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e milícias, como organizações narcoterroristas. Segundo o senador, a Marinha teria atuação reforçada no Porto de Santos, enquanto Exército e Força Aérea atuariam na região amazônica e nas fronteiras.
Flávio ainda afirmou que pretende incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, iniciativa que, segundo ele, permitiria ampliar o intercâmbio de informações e inteligência para enfrentar o crime organizado.
Punição aos envolvidos no 8 de janeiro
Ao ser questionado por Renata Lo Prete sobre os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, Flávio afirmou que os responsáveis por depredação de patrimônio público e agressões a policiais devem ser punidos conforme a lei.
“Depredação de patrimônio público, agredir um policial é inaceitável, não tem justificativa para isso”, declarou.
O candidato, no entanto, contestou a caracterização dos atos como tentativa de golpe de Estado e criticou a responsabilização de pessoas que, segundo ele, não teriam participado de ações violentas.
“Não dá para você querer dizer que uma senhora com Bíblia, um cara vendendo pão ou algodão-doce no meio da manifestação tá tentando dar um golpe”, afirmou.
Na sequência, Flávio voltou a acusar Lula de agir politicamente contra adversários e citou divergências entre o governo federal e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), envolvendo medidas para motoboys e um empréstimo destinado à capital paulista.