Fotografias armazenadas no celular da lobista Roberta Luchsinger mostram o empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), em viagens internacionais e eventos sociais ao lado dela e de outros empresários. Entre os registros estão imagens de uma viagem à Finlândia para observar a aurora boreal, realizada em um jato particular Embraer Praetor 600, cujo preço de um modelo novo supera US$ 20 milhões. As informações são da revista Veja.
As imagens expõem a proximidade entre Lulinha e Roberta, que se tornou alvo de investigações sobre suspeitas de tráfico de influência. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) indicam que os dois mantinham uma parceria para representar interesses privados junto a órgãos do governo federal.
Segundo a reportagem, Roberta era responsável por captar empresários interessados em negócios com a administração pública, enquanto Lulinha recorreria à sua rede de contatos políticos para facilitar o encaminhamento de demandas. A PF identificou mensagens nas quais a lobista descreve a realização de articulações políticas no Palácio do Planalto e menciona uma meta de lucro de R$ 100 milhões para 2024.
Em um dos diálogos, ela teria afirmado a um interlocutor que seu trabalho envolvia fazer “costuras políticas” no governo. A investigação aponta que a atuação dos dois integraria um núcleo voltado à defesa de interesses privados na estrutura federal.
Viagens e relações empresariais
As fotografias também mostram Lulinha em encontros e confraternizações com empresários. Entre eles está Marcelo Checon, proprietário da MChecon Design e Cenografia. Conforme os dados apresentados pela revista, a empresa ampliou sua presença em contratos federais durante o atual governo Lula: passou de um contrato de R$ 197 mil antes da posse presidencial para 13 novos contratos, que somaram R$ 63 milhões nos três anos seguintes.
A reportagem também relata viagens internacionais custeadas por empresários ou realizadas em aeronaves fretadas ou emprestadas. Entre os destinos mencionados estão a Finlândia, a China e Portugal. Em 2024, Lulinha também teria comemorado o aniversário em um camarote do Rock in Rio Lisboa oferecido por um empresário.
Outro ponto abordado é a permanência do filho do presidente na Espanha, onde vive com a família desde junho de 2025. De acordo com seu advogado, Marco Aurélio de Carvalho, ele se mantém no exterior com recursos provenientes do próprio trabalho, na área de consultoria e governança.
Mansão em Brasília e contatos no Planalto
A investigação também envolve uma residência de alto padrão em Brasília alugada por Roberta. Segundo a reportagem, o imóvel era utilizado por Lulinha para hospedagem, reuniões e confraternizações com empresários e integrantes do governo. Os custos mensais de manutenção ultrapassariam R$ 100 mil.
Entre os frequentadores citados estão os ministros Alexandre Padilha, da Saúde, e Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, além de Swedenberger Barbosa, integrante do gabinete pessoal da Presidência. O empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, também teria participado de encontros com Lulinha.
A PF investiga possíveis articulações envolvendo interesses empresariais e integrantes da administração federal. Mensagens atribuídas a Roberta mencionam pagamentos de despesas de Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete de Lula, conhecido como Marcola. Ele deixou o cargo após a divulgação das informações. Santana afirmou que os valores recebidos correspondiam a um empréstimo, versão contestada pela lobista, que declarou ter dado o dinheiro para ajudar um amigo.
Roberta também aparece em conversas relacionadas a iniciativas comerciais que envolveriam o Ministério da Saúde, incluindo propostas para fornecimento de medicamentos derivados de cannabis e testes para dengue. Segundo a reportagem, Lulinha e a lobista teriam ajudado a organizar encontros entre empresários e autoridades.
Lobista critica Lula e fala em delação
A divulgação das fotografias ocorre em meio ao embate público entre Roberta e Lula. Em uma sabatina do Jornal Nacional, em agosto, o presidente negou conhecer a lobista e a chamou de “pilantra”. Posteriormente, voltou a criticá-la publicamente.
Em entrevista à CNN Brasil, Roberta afirmou que não pretende assumir sozinha a responsabilidade por eventuais irregularidades e manifestou interesse em negociar um acordo de colaboração premiada. Ela sustenta que poderá apresentar informações sobre as relações entre empresários, autoridades e integrantes da família presidencial.
A lobista nega ter dividido lucros com Lulinha e afirma que não efetuou pagamentos a ele. As suspeitas investigadas pela PF ainda dependem de apuração e eventual comprovação judicial.


