O senador Flávio Bolsonaro (PL) mudou o tom do discurso após a derrota no segundo turno. Em vídeo divulgado hoje (26), o senador não falou em fraude nas urnas. Anunciou que vai pedir a cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico. Ele ainda questionou a decisão que estendeu o horário de votação, mas disse que a contestação é sobre a ação do Judiciário.
“Então, eu vou pedir sim a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo, a competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu”, disse.
Segundo o senador, o presidente usou recursos públicos para ampliar sua base de apoio. Flávio afirmou que houve compra de votos. “O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil”, declarou. Ele também acusou o adversário de promover a disseminação em massa de mentiras. “Isso tudo, sem falar no complexo industrial de fake news que eles criaram”, disse.
Pedidos de cassação de chapa por abuso de poder são analisados, em regra, pelo TSE, por meio de ação de investigação judicial eleitoral (AIJE). O prazo e o rito dependem da fase em que a ação é apresentada.
Antes do anúncio sobre a cassação, Flávio já havia questionado a decisão que prorrogou a votação. “O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido”, afirmou. Ele disse que a medida foi tomada “no domingo à noite”, logo após o anúncio do resultado.
Na mesma gravação, o senador disse que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e está proibido de deixar o país. Segundo ele, a notificação ocorreu no meio da rua, depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
“Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, disse.
Flávio afirmou que a decisão do ministro Alexandre de Moraes se baseou em fala do deputado Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, segundo a qual Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição. O senador negou ter dito isso. “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou.
Ao final, ele disse que vai organizar a oposição no Congresso. “Não vamos desistir do nosso Brasil”, afirmou.
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