O jato Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de Puerto Iguazú, na Argentina, para Miami, nos Estados Unidos, retornou a Buenos Aires na manhã desta quinta-feira (29) sem entrar no espaço aéreo brasileiro. A aeronave repetiu, na volta, o trajeto com escala em Guayaquil, no Equador.
Após deixar Flávio no aeroporto executivo de Opa-Locka, na região de Miami, o avião seguiu para Fort Lauderdale, onde permaneceu até a noite de quarta-feira (28). Em seguida, partiu para Guayaquil e fez uma parada de cerca de 30 minutos antes de seguir para o Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, onde pousou por volta das 7h22 desta quinta-feira.
O jato havia chegado a Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26), após sair de Buenos Aires. Flávio embarcou na aeronave na noite seguinte, acompanhado da mulher e das duas filhas, cerca de 11 horas depois de ser intimado a entregar seus passaportes.
Documentos usados na viagem
Segundo o manifesto de voo citado pela reportagem, Flávio utilizou o passaporte italiano no deslocamento, enquanto a mulher e as filhas viajaram com documentos brasileiros. Nos Estados Unidos, o senador teria ingressado com o passaporte diplomático brasileiro, que havia sido cancelado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A aeronave também esteve no Rio de Janeiro em 2 e 20 de outubro, antes do primeiro e do segundo turnos das eleições presidenciais. No domingo (25), data da votação decisiva, o jato permaneceu em Buenos Aires.
Moraes proibiu senador de deixar o Brasil
A viagem ocorreu após Moraes determinar que Flávio entregasse os passaportes e não deixasse o território brasileiro. A decisão foi tomada depois de a Polícia Federal solicitar medidas cautelares contra o senador, sob alegação de risco de saída do país.
Apoiadores de Flávio contestam a caracterização da viagem como fuga e afirmam que não havia mandado de prisão contra ele. O senador, no entanto, deixou o país após a ordem judicial que o proibia de viajar ao exterior.
O caso está relacionado a uma investigação sobre a relação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, suspeito de lavagem de dinheiro por meio de empresas ligadas ao setor de apostas. Tomaz nega irregularidades e afirma que os recursos movimentados têm origem lícita.
Segundo a investigação, registros de contatos, encontros, viagens e documentos levantaram suspeitas sobre a relação entre os dois. A Polícia Federal também apura se Flávio teve acesso como “usuário master” a uma conta da Alcazar Holdings, empresa ligada a Tomaz e registrada na Ilha da Madeira. Uma holding associada ao advogado teria custeado viagens do senador e de familiares.
Flávio e Tomaz negam manter negócios em conjunto. A defesa do advogado apresentou documento atribuído ao Santander segundo o qual o senador nunca figurou como usuário master da conta, contestando a interpretação dos investigadores.
Na sexta-feira (23), Moraes determinou medidas contra Tomaz, incluindo o bloqueio de bens e valores. No domingo (25), a PF solicitou ao STF medidas cautelares contra Flávio. Na manhã seguinte, o senador foi intimado a entregar os passaportes e recebeu a proibição de deixar o Brasil.
Flávio afirmou que Moraes levou em consideração uma declaração de Eduardo Bolsonaro feita antes da eleição, na qual o ex-deputado mencionou a possibilidade de o irmão deixar o país em caso de derrota eleitoral.
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