Isabella Oliveira, bailarina de Claudia Leitte que morreu com 21 anos neste sábado, sofreu uma parada cardíaca durante um ensaio, explicou o namorado, Gabriel Genain, nas redes sociais. Na publicação, ele detalhou ainda que a bailarina tinha lúpus e insuficiência cardíaca.
“Por uma eventualidade e infelicidade, veio a ter uma parada cardíaca em seu ensaio de dança (…) os médicos fizeram o possível para reverter o quadro, mas infelizmente não conseguiram”, continuou o namorado.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, o lúpus é uma doença inflamatória autoimune, ou seja, em que o próprio sistema imunológico do indivíduo passa a atacar o organismo. Com isso, pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, cérebro e coração.
Não se sabe ao certo o que causa essa resposta disfuncional do sistema imune em primeiro lugar, embora estudos apontem para fatores hormonais, infecciosos, genéticos e ambientais. Os sintomas mais comuns são lesões na pele e dores nas articulações. A doença não tem cura, mas o tratamento pode controlar e até levar ao desaparecimento das manifestações.
Por atingir diversos órgãos e tecidos diferentes, o lúpus de fato é associado a um maior risco cardíaco. Uma revisão de 46 estudos publicada em 2022 na revista científica Lupus encontrou um risco de acidente vascular cerebral (AVC), infarto e doença cardiovascular no geral de duas a três vezes maior entre pacientes com a doença autoimune.
“Devido ao alto risco de mortalidade e morbidade cardiovascular em pacientes com lúpus, especialmente nos mais jovens, é imperativo que os fatores de risco sejam avaliados rotineiramente e que medidas preventivas apropriadas sejam integradas ao plano de gerenciamento da doença”, escreveram os autores.
O impacto de fato é mais significativo nas faixas etárias mais jovens. Um outro trabalho, publicado na Arthritis Care and Research, em 2020, encontrou uma taxa mais elevada de AVC e infarto entre jovens de 18 a 39 anos com lúpus do que aquela observada entre pessoas de 50 a 65 da população geral.
Um estudo mais antigo, publicado em 1997 no American Journal of Epidemiology, chegou a estimar que mulheres de 35 a 44 anos com lúpus tem um aumento de mais de 50 vezes no risco de sofrer um infarto em relação àquelas da mesma faixa etária sem a doença.
Uma publicação da Associação Americana do Coração explica que o lúpus pode causar pericardite, uma inflamação do revestimento do coração, e miocardite, inflamação do músculo cardíaco, e cita que diversos estudos identificaram a doença cardiovascular como a principal causa de morte em pessoas com a doença autoimune.
Michelle Petri, professora de reumatologia da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, diz no artigo que o lúpus também pode acelerar o desenvolvimento da aterosclerose, quando placas de gordura se acumulam e obstruem as artérias.
A insuficiência cardíaca, quadro que Isabella tinha, por exemplo, é uma síndrome clínica que leva o coração a perder ou a diminuir a capacidade de bombear sangue adequadamente geralmente decorrente de outros problemas de saúde que afetam o desempenho do órgão, neste caso o lúpus.
Fonte: O Globo