De acordo com promotores do Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que acompanham o processo de internacionalização do PCC, a facção prioriza, neste momento, países cujas barreiras linguística e cultural sejam menores.
Além da presença em Portugal e Espanha, é conhecida pelo MPSP a associação do PCC com a máfia italiana ‘Ndrangheta, da Calábria. Investigações apontam que a facção paulista ainda tem associações com grupos da Sérvia, Colômbia, Venezuela e de outros países.
Antes do PCC, traficantes europeus precisavam atravessar o Oceano Atlântico até Bolívia, Colômbia ou Peru, países produtores de cocaína, para negociar pasta base ou comprar a droga já refinada. A parceria comercial com a facção facilitou a logística e reduziu os riscos dos criminosos europeus.
De acordo com estimativa dos promotores do Gaeco, feita em 2023, há membros do PCC em pelo menos 23 países. Em Portugal e na Espanha, onde foi detectada a infiltração em presídios, havia 42 e 19 faccionados, respectivamente.
Segundo autoridades do Gaeco, a expansão do PCC gerou preocupação no governo dos Estados Unidos, que teme o avanço da facção sobre seu território. Em 2022, o presidente americano, Joe Biden, assinou ordem executiva para combater organizações criminosas e redes de tráfico, que incluía o PCC entre alvos de sanções.
A estratégia do PCC de ampliar seus poderes em outros países por meio do batismo de detentos nos presídios já foi adotada, anteriormente, na América do Sul. Desde que dominou o tráfico na fronteira com o Paraguai, em 2016, a facção passou a comandar rotas de comércio de droga que passavam pelo país vizinho. Assim, membros da organização criminosa acabaram no sistema prisional paraguaio e passaram a batizar os “irmãos” locais.
“Quando o pessoal passou a ser preso do lado do Paraguai, começaram a recrutar [novos membros] dentro das cadeias paraguaias. Então, surgiu uma disputa com o Clã Rotela, um grupo criminoso análogo ao PCC em território paraguaio, mas muito menor em tamanho”, afirma o pesquisador Christian Vianna.
O batismo de novos integrantes do PCC também teria sido mapeado na Venezuela. No passado, ocorreu o movimento contrário. O Ministério Público de Roraima já identificou pelo menos 700 venezuelanos batizados no sistema prisional do estado.